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Pesadelos e Sonhos A Profunda Análise de Victor Hugo

Pesadelos e Sonhos: Análise Profunda de Victor Hugo

O vídeo “Pesadelos e Sonhos – A Profunda Análise de Victor Hugo” traz uma reflexão sobre duas experiências oníricas que o autor teria registrado: um pesadelo recorrente envolvendo uma velha misteriosa e um sonho romântico com uma menina da infância. O comentarista explora os detalhes de cada visão, relacionando‑as a leituras de obras clássicas como a *Divina Comédia* de Dante e a *Eneida* de Virgílio.

Não se trata de energia ou iluminação a gás, mas de um fogo direto, quase palpável. Na cena do pesadelo, uma vela acesa ilumina um armário onde se encontra uma velha, parada no canto como se fosse um objeto. Os intrusos, ao entrar, supõem que a mulher seja cúmplice de ladrões e a deixam ali, sem que ela se mova. Quando a retiram do armário, a velha cai no chão duro; eles dão um pequeno chute para ver se reage, mas ela permanece imóvel. Colocam‑a de volta no mesmo lugar e a interrogam: “Quem é você? O que está fazendo aqui?” Ela não responde. Então, um dos homens coloca o fogo sob o queixo da velha. Ela abre os olhos lentamente, como se as palavras surgissem aos poucos. Cada tentativa de fazer com que fale resulta apenas em mais silêncio; ele insiste, mas ela continua a abrir os olhos pouco a pouco, sem dizer nada. De repente, tudo escurece, ele sente uma mordida terrível na mão e acorda. Esse pesadelo se repete em várias noites, deixando o narrador tão perplexo quanto o próprio Victor Hugo, que, segundo ele, não tinha outra explicação a não ser registrar o que sentia, como se fosse uma forma primitiva de psicanálise antes mesmo da existência da disciplina.

Em contraste, há um sonho muito bonito, que não envolve a esposa de Hugo, mas uma menina que ele conhecia desde a infância. No capítulo 33 de sua obra, Hugo descreve o primeiro amor: os dois cresceram juntos, tornaram‑se amigos e, com o tempo, aproximaram‑se ainda mais. O relato narra o dia em que se beijaram pela primeira vez, sentados num banco de praça, lendo uma história. Ela, já terminada a leitura, pergunta: “Posso virar a página?” enquanto ele ainda lê devagar. Ela folheia rapidamente, e, ao som dos suspiros que se misturam, eles se entregam ao beijo. Depois, ao voltarem para casa para contar às mães, a menina exclama: “Mamãe, corremos tanto!” e ele, sem saber como explicar, fica sem jeito.

Essa cena remete, segundo o comentarista, ao famoso episódio dos amantes no Inferno da *Divina Comédia* de Dante Alighieri. No poema, dois amantes condenados ao Inferno foram punidos por um pecado ligado a um livro. Eles cresceram juntos, leram sobre o amor de Eneida com Dido — a história que aparece na *Eneida* de Virgílio — e, inspirados por essa narrativa, se apaixonaram e se beijaram, o que os levou à condenação eterna. Dante descreve o sofrimento desses amantes, chamando‑os de “amor adúltero”, um crime aos olhos de Deus, e relata que, mesmo no Inferno, continuam a se beijar até que as estrelas surgem no céu.

Assim, o sonho de Hugo parece ecoar essa tradição literária, embora não trate de um amor adúltero, mas de uma amizade profunda que evolui para o romance. A referência às estrelas que aparecem enquanto eles se beijam reforça a conexão simbólica entre o amor humano e o cosmos, trazendo à tona a mesma melancolia e beleza que permeiam os amantes de Dante.