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Os Amados Mortos [LOVECRAFT]

Os Amados Mortos [LOVECRAFT]

Bem-vindos de volta a mais um vídeo aqui no canal e à nossa playlist onde analiso todas as histórias que H. P. Lovecraft escreveu, seja sozinho ou em colaboração com outro autor. No vídeo de hoje, nós vamos falar sobre o conto mais pesado que Lovecraft escreveu, num nível assim absurdo. Este não é um conto de horror cósmico; na verdade, ele é um terror psicológico, um *thriller*, escrito em coautoria com C. M. Eddy Jr., intitulado "Os Amados Mortos".

Para termos uma noção, essa história foi escrita em 1923 e publicada pela primeira vez em maio de 1924 na *Weird Tales*. A *Weird Tales* era uma famosa revista de literatura *pulp*, feita de polpa de celulose, muito barata e acessível, que ficava nas bancas de jornais. Adolescentes, pré-adolescentes e adultos iam ali comprar seu jornalzinho e, com alguns centavos de dólar, conseguiam levar uma revistinha dessas para casa.

Sobre o que é a história deste conto? Acompanhamos um narrador sem nome que é um psicopata. A narrativa se inicia na infância dele, período em que o fascínio pelos mortos e pelos cadáveres se tornou muito evidente para ele mesmo. Ele era uma pessoa muito reclusa, não gostava de falar com as outras pessoas, e os habitantes da cidade onde morava diziam que ele dava mau agouro e que alguns de seus ancestrais mexiam com bruxaria. Por conta disso, ele acabou ficando ainda mais isolado.

Tudo mudou quando ele foi ao funeral da avó e ficou estranhamente fascinado com o cadáver. Ele se sentiu atraído de maneira carnal pelo corpo. Desde então, esse fascínio retornou quando a mãe dele faleceu e ele sentiu a mesma energia. Era quase como se a presença dos cadáveres revitalizasse o seu espírito. Na época em que o pai dele morreu — de causas naturais, por problemas de saúde, sem nenhum assassinato —, ele decidiu trabalhar em uma agência funerária, embalsamando e preparando os corpos para o enterro. Ele tratou o cadáver do próprio pai e sentiu um estranho fascínio nisso tudo.

Mais tarde, foi para outra cidade para se especializar e ficou muito bom no que fazia. Chegou um momento em que ele torcia para as pessoas morrerem apenas para ter um corpo em sua mesa de autópsia. A situação escalou tanto que ele começou a matar pessoas para conseguir corpos frescos, sentindo um êxtase não apenas espiritual, mas sexual ao fazer isso. Ele foi matando, matando, matando, até ser convocado para a Primeira Guerra Mundial. Ele conta que foi o primeiro a ir para a guerra e o último a voltar, tendo cometido muitos crimes por lá também.

Quando retornou, continuou a matança de forma ainda mais feroz e atroz. Até que um dia, ele estava no necrotério, completamente nu, abraçado a um cadáver, quando o dono do local chegou e o flagrou. O homem disse: "Meu Deus, o que você está fazendo? Sai daqui, vai tirar umas férias". Sabendo que tinha sido pego, ele decidiu voltar para a sua cidade natal por um tempo. Quando retornou anos depois, o velinho do necrotério já havia morrido, aparentemente levando o segredo para o túmulo.

De volta à sua cidade, ele recomeçou a matar. Vítimas eram vistas apenas como presa. Chega um momento na narrativa em que ele quase é pego, mas, em vez de se esconder e esperar as suspeitas passarem, ele fica ainda mais excitado com a situação. Ele acaba matando uma família inteira, incluindo crianças, a sangue frio, e foge. A polícia começa a cercá-lo e, acuado, ele pensa que a única maneira de escapar é absorver a energia vital de outro cadáver. Ele volta ao cemitério e desenterra um corpo, mas descobre que não há nada de sobrenatural ali; ele não sente aquela energia revigorante. Percebendo que não tem mais saída, ele pega uma lâmina ensanguentada — a mesma que usou para matar várias pessoas — e corta o próprio pulso. O conto termina com suas últimas palavras: "Eu não consigo mais escrever".

Cara, esse conto é muito bom. Mas pensem bem: isso ficava em uma banca de jornal! Crianças e adolescentes compravam aquilo. Se você visse as capas da época, geralmente estampavam mulheres nuas ou sensuais e homens fortes enfrentando monstros inomináveis. Que jovem não ficaria imediatamente interessado?

Acontece que isso gerou um grande rebuliço. Quando a história foi publicada, alguns estados dos Estados Unidos quiseram banir a revista e proibiram estritamente a sua circulação. Mas é aquela velha história: quando você tenta proibir algo, o interesse só aumenta. As pessoas comentavam: "Hum, 'Os Amados Mortos' [The Loved Dead]… essa é a história que foi banida?". A *Weird Tales* quase saiu de circulação, mas a obra virou um fenômeno *underground*, pois todo mundo queria ler o conto escrito por Lovecraft e C. M. Eddy Jr. em colaboração.

É um conto maravilhoso, muito bem escrito, extremamente *gore*. Não tem nada de lovecraftiano, mas é muito bom. Se você ler esse conto hoje em dia, ele faria sucesso do mesmo jeito. Infelizmente, eu não consegui ler na edição da *Drakkar Classic* [nota: o autor menciona a editora no áudio], porque os trabalhos de C. M. Eddy Jr. ainda estão protegidos por direitos autorais, então é preciso encontrá-los em sites de domínio público. Eu não achei a edição traduzida, mas com certeza deve existir, pois esse conto é fenomenal, um dos melhores associados a Lovecraft, e eu recomendo muito a leitura.

Sabemos que este não é o estilo habitual do autor, mas ainda assim vale muito a pena. O que vocês acharam? Assustador, não é mesmo? Vejo vocês no próximo vídeo. Comentem aí se vocês estão gostando dessa série, se inscrevam no canal, no canal do Universo Antares, participem do grupo do Telegram, se inscrevam no meu canal também, e é isso aí. Vejo vocês no próximo vídeo, até mais!