Neste vídeo da série dedicada a analisar toda a obra de H. P. Lovecraft, exploramos "O Alquimista", conto escrito em 1908 e publicado pela primeira vez em novembro de 1916 na revista *The United Amateur*.
Aqui temos novamente um H. P. Lovecraft mais sucinto e preocupado em impressionar o leitor. Acompanhamos a história de Antoine, um nobre do interior da França que mora em um castelo de família. Ele risca o nome da família para proteger a privacidade e a integridade de seus entes queridos. Antoine é um dos únicos sobreviventes de sua linhagem, tendo sido criado por um senhorio que era amigo de seu pai, o qual morreu precocemente. É muito legal como Lovecraft descreve o local: um castelo todo destruído, rodeado de bosques inóspitos. A própria gente, os plebeus, tem um receio enorme de se aproximar da propriedade da família, ao ponto de o autor conseguir personificar a localização, fazendo com que o próprio castelo se torne um personagem.
Antoine acaba ficando muito recluso, principalmente após a morte de seu tutor. Com o tempo, ele compreende o motivo de tanta reclusão: passa a conhecer de fato a maldição que paira sobre sua família. Todos os descendentes que se aproximam de uma determinada idade, os 32 anos — idade em que um dos ancestrais morreu —, simplesmente perecem de maneira completamente aleatória e inexplicável. Queria descobrir mais sobre essa maldição, Antoine passa a pesquisar muito sobre ocultismo e magia. É quando descobre que, no passado, um de seus antepassados entrou em conflito com um alquimista chamado Michel Mauvais. Mauvais e seu filho viviam em uma cabana fazendo experimentos e magias de todo tipo, enquanto crianças e pessoas da região começavam a desaparecer.
Numa determinada ocasião, o irmão do conde da época desaparece. O conde vai até a cabana e encontra o alquimista em meio a um ritual, com algo fervendo no caldeirão, supostamente utilizando sacrifícios de pessoas inocentes para conseguir o Elixir da Imortalidade. Acreditando estar fazendo justiça, o conde mata o alquimista. Antes de morrer, contudo, o outro alquimista — o filho de Michel — profere a maldição: todos os descendentes daquela família morrerão ao completarem 32 anos. Em seguida, ele arremessa um frasco na cara do conde, que cai durinho no chão. A partir daí, cada membro da família morre de maneira bizarra ao atingir a idade fatal.
Diferentemente dos outros, Antoine está completamente resignado. Ele pensa que vai morrer, que a maldição vai acabar com ele e que não se casará com nenhuma mulher para não postergar esse fardo. Sozinho no castelo, ele resolve explorar as ruínas e acaba descobrindo uma espécie de masmorra escondida. Ao descer e caminhar por um corredor em direção a uma antecâmara, percebe que há mais alguém ali. Quando tenta voltar, uma figura completamente cadavérica surge. Rola então uma luta feroz: Antoine consegue trocar socos com a criatura e se defender de um frasco que é arremessado contra ele. Explorando o local depois disso, ele percebe que havia um acesso pelo bosque, que era provavelmente por onde a criatura entrava no castelo para vitimar seus familiares.
Quando a criatura começa a ressurgir, o diálogo final se desenrola. Antoine questiona como aquilo é possível, perguntando quem é o ser e como ele conseguiu atravessar todos aqueles anos e episódios depois de tudo o que fizeram contra ele. É aí que o vilão se revela. Caído no chão, o monstro esbraveja: "Seu tolo, você não percebeu até agora que quem se certificou de cumprir todas as maldições, quem garantiu que seus entes não ultrapassariam os 32 anos foi nada mais nada menos do que eu, aquele que proferiu a maldição?". Temos então o *plot twist*: descobrimos que o bicho cadavérico é o próprio Michel Mauvais, que de fato conseguiu a poção da imortalidade.
O conto termina deixando aquela dúvida no ar sobre o que aconteceu em seguida. Como o narrador começa contando a história aos 90 anos, é provável que ele tenha sobrevivido, mas, como em toda boa história lovecraftiana, o evento com certeza mudou e aterrorizou sua vida para sempre. O que vocês acharam? Eu gosto muito desse conto; não é uma história de horror cósmico, mas sim um conto gótico extremamente interessante. Comentem aí se vocês já leram, se conhecem outras histórias parecidas e se curtem essa mistura de terror com estética medieval.