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Macbeth Explicado! A Tragédia mais MACABRA de Shakespeare

Macbeth Explicado! A Tragédia mais MACABRA de Shakespeare

Sangue, traição e loucura. Macbeth não é só mais uma peça de Shakespeare; é um mergulho sombrio na mente humana, na sede pelo poder e na maldição do destino. Mas o que torna essa tragédia tão impactante? E por que, mesmo séculos depois, ainda nos sentimos fascinados pela história desse rei amaldiçoado? Hoje vamos explorar a obra que muitos chamam de "A peça maldita", desde suas origens até suas adaptações mais modernas. Então, prepare-se para entrar em um mundo de profecias enigmáticas, assassinatos brutais e a espiral da loucura. Esse é Macbeth e essa é a sua tragédia.

Escrita entre 1603 e 1607, Macbeth surge em um momento interessante da história inglesa. Com a morte da rainha Elizabeth, que não deixou herdeiros, o rei Jaime I — e há várias traduções para esse nome, como podem ver —, rei da Escócia, havia acabado de assumir o trono, unificando Escócia e Inglaterra. Shakespeare, sempre atento ao clima político, cria uma peça que exalta a linhagem do rei, mas também expõe os perigos da ambição desenfreada. Além disso, o período era obcecado por bruxaria. O próprio rei Jaime escreveu um livro chamado *Daemonologie*, condenando a feitiçaria. Shakespeare pega essa paranoia e a transforma em um elemento essencial de sua história. Ainda sobre o contexto histórico, não devemos descartar que há uma ancestralidade do rei Jaime com Banquo, que logo vocês vão saber quem é.

Dito isso, vamos à trama. Tudo começa com três bruxas misteriosas prevendo o futuro de Macbeth, um bravo general escocês. Elas dizem que ele será rei, mas não explicam como. Há toda uma discussão sobre a aparência das bruxas em que não vou me aprofundar; pode ser assim, assim ou assim, você decide.

Em outro lugar, o rei escocês Duncan recebe a notícia de que seu general foi crucial na vitória contra os noruegueses. O rei manda premiá-lo, dando a ele o título e as posses que pertenciam ao traidor defenestrado: as terras do norte da Escócia, chamadas Cawdor. E mandam matar o traidor para que deem a Macbeth o honrado. Olha só que ironia.

Ainda sem saber de nada, Macbeth e Banquo voltam para casa depois do combate e encontram três bruxas na charneca. Elas saúdam o Barão de Glamis — Macbeth é esse lorde. Até aí tudo bem. Só que a segunda o saúda como Barão de Cawdor. Aí está tudo errado: Cawdor tem dono, e Macbeth não vai pegar uma terra que já tem dono. Para piorar, a terceira o saúda como o que ainda será rei. Só que Banquo também quer saber o que vai ser feito dele. Mas olha como as bruxas são maldosas: "Menos que Macbeth e maior; não tão feliz, mas mais feliz; será pai de reis, mas não será um". Como isso vai acontecer? Elas não deixam claro, mesmo Macbeth insistindo bastante.

Ross e Angus, a mando do rei Duncan, vêm ao encontro deles depois que as bruxas vão embora e revelam que ele seria o barão daqueles mesmos lugares mencionados pelas bruxas. Isso levanta a atenção para a veracidade dos vaticínios. Esse é o ponto crucial de tudo o que viria depois: se as bruxas acertaram nisso, então não estariam certas nas demais coisas? O mais intrigante de tudo isso é que, para se tornar Barão de Cawdor, Macbeth não precisou mover uma palha. Se ele continuasse nesse pensamento, talvez tudo fosse diferente. Só que, como alguém viciado em horóscopo, ele aceitou a confirmação daquilo que lhe interessava e, a partir dali, fez sua interpretação do que deveria ser feito.

Eles então vão ao encontro do rei Duncan, e Macbeth é oficialmente informado de que seria o Barão de Cawdor. Macbeth não consegue parar de pensar nas palavras das bruxas e no que acabou de acontecer; não podia esperar chegar em casa e mandou uma carta para a esposa para contar as novidades. O nome da esposa não é dito na peça, mas, pesquisando, soube que se chamava Gruoch, um nome bem estranho, pelo menos para o nosso costume ocidental, então vamos mantê-la como Lady Macbeth.

A esposa começa a preparar os passos para que Macbeth se torne rei; ela está mais ansiosa do que ele. A fala dela é enigmática: ela suplica, sabe-se lá a quem, para que qualquer vestígio de piedade e compaixão saia dela, para que então consiga realizar o que planeja. Isso por si só é bizarro: uma personagem extremamente sombria e sedenta por poder.

A oportunidade perfeita aparece quando Duncan, extremamente agradecido, vai visitá-los em seus aposentos. O plano entra em ação: assassinar o rei enquanto ele dorme bêbado e colocar a culpa nos guardas que o vigiavam. Lady Macbeth deixa as adagas por lá e acha que pensou em tudo, assim seu marido não teria que carregá-las pelos corredores. A mulher vê que Macbeth titubeia, joga com a honra do homem, e ele acaba seguindo com o plano. Ele o mata a facadas e volta para a cama com as adagas ensanguentadas. Lady Macbeth quase tem um treco: o cara saiu com a arma do crime! Isso nos mostra que Macbeth não estava tão frio quanto a esposa; ela planejou, ele executou. Mas, desde o momento em que esfaqueou o rei, ele já começou a endoidar. Macbeth limpa o sangue com água, e Lady Macbeth diz que isso bastaria para limpar. Mal sabia ela que nem tudo se limpa com água, mas voltaremos a falar disso no futuro.

Só que um dos problemas da ambição é que ela pode atrapalhar o juízo, principalmente de pessoas ansiosas. Eles mataram Duncan, o plano deu certo, né? Mas o homem estava com os filhos! Que plano bosta, olha que planejamento juvenil. Só pela manhã descobrem que o rei está morto. Macduff — gravem bem esse nome — veio para acordá-lo cedo a pedido do próprio rei e, portanto, é o primeiro a vê-lo morto. Com a notícia de que o rei morreu, os filhos de Duncan, Malcolm e Donalbain, temem o que seria feito deles. Afinal, os principais suspeitos são os que ganham alguma coisa com isso, ou seja, os herdeiros, e eles fogem. E por sorte — muitas aspas — ou destino, acaba dando tudo certo, porque os filhos que fugiram passaram a ser os principais suspeitos.

Macbeth então é coroado rei. Shakespeare deixa em branco como isso se deu, se existiram outros reivindicando o direito. Algumas versões colocam que houve sim uma disputa, e eu prefiro acreditar que houve; essa guerra pelo trono me traz boas memórias, ou não. Homem, quando se torna rei, resolve dar um banquete e chama a galera. Ele se certifica de que Banquo estaria lá, pois este passa a ser sua principal preocupação quanto ao que as bruxas disseram. Banquo garantiu ao rei que iria passar o dia cavalgando; poderia até chegar atrasado, mas iria chegar.

Macbeth planeja o assassinato de Banquo, só que dessa vez ele manda alguém matar, não sujaria as próprias mãos. Ele convence dois homens de que Banquo é a razão da desgraça deles e que ele mesmo tem Banquo por inimigo. Os homens, que já vinham há um dia pensando nisso, topam e preparam uma emboscada, porém não conseguem apanhar Fleance, o filho de Banquo, e o menino foge.

As bruxas estariam certas novamente? Fora a paranoia de Macbeth sobre quem lhe tiraria o trono, há um aspecto que merece destaque. Quando Macbeth mata o rei Duncan, há alguma hesitação, é verdade; ele, um guerreiro acostumado a tirar vidas de forma honrada em batalha, tornou-se um assassino. Dessa vez, porém, não seriam suas mãos que tirariam a vida de quem poderia atrapalhá-lo, mas a de outrem. Isso mostra que Macbeth tinha muito, mas muito afeto por Banquo. Tanto é que, quando o homem morre, Macbeth já está delirando, mesmo sem saber ainda o que aconteceu: ele vê o fantasma de Banquo ir até a cadeira do rei e se sentar. Só que, lembremos, estamos em uma celebração, e todo mundo começa a ver Macbeth dar os primeiros sinais de insanidade, conversando com Banquo, mesmo que ele não estivesse ali.

Lady Macbeth tenta dar um migué: "Ah, ele está muito cansado, nem queríamos fazer nada porque o rei está bem doente, mas é isso, já já ele vai ficar bem". Eu fico imaginando a cara do pessoal depois disso, o povo indo embora logo para não se complicar com o rei, ouvindo e vendo o que não deve ser visto e ouvido, mas depois comentando: "O cara ficou maluco".

Macbeth então resolve dar um jeito nisso. Procura as bruxas — para que que você queria fazer mesmo, Macbeth? Enfim, ele vai lá, pois sabe onde elas estão, numa caverna, e elas entregam novas profecias. Elas invocam uma cabeça coroada com um capacete, que significa uma advertência sobre Macduff, o nobre escocês. Depois, surge uma criança ensanguentada, e é dito: "Ninguém nascido de mulher poderá matar Macbeth". E aí ele fica aliviado, porque todo mundo nasce de mulher. Finalmente, aparece uma criança coroada com um raminho na mão: "Você não será vencido até que a floresta de Birnam venha contra o castelo de Dunsinane", que é outra coisa impossível. Com isso, ele sai da caverna aliviado.

Ele considera tanto a advertência das bruxas que manda matar a família de Macduff. Na verdade, ele manda matar Macduff, só que Macduff não estava lá porque foi se encontrar com Malcolm, que tinha fugido para a Inglaterra, o filho do rei Duncan. Só que foi meio que um vacilo de Macduff, vocês não acham? Não por maldade, mas quando se lida com gente maluca, tem que antecipar possíveis loucuras do cara. Enfim, não há misericórdia para os traidores do rei. Traidores? Macduff estava sob suspeita desde que não foi ao banquete, aquele banquete em que Banquo morreu. E com a confirmação das bruxas, Macbeth não pensou duas vezes em usar isso como justificativa para seu ato tacanho.

Lady Macbeth também estava afetada, assim como o marido. O que se dizia é que ela andava pelo castelo delirando, tentando limpar as mãos de um sangue inexistente. E é numa dessas que ela, sonâmbula, acaba revelando o que ela e o marido fizeram. O médico que foi tratá-la é quem acaba ouvindo tudo. Pouco depois, enquanto Macbeth estava preocupado com as notícias sobre a movimentação dos exércitos ingleses, Lady Macbeth morre. Macbeth vira um emo, começa a compor a música-tema do próximo álbum e acaba fazendo o texto que muita gente usa sem sentido nenhum, como se fosse vantajoso parecer com Macbeth. Olha ele aí: "A vida não passa de uma sombra ambulante, um pobre ator que se pavoneia e se agita na cena por uma hora e depois não se ouve mais nada; é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, que nada significa". Pois é.

Enfim, vamos supor que existe um destino realmente predito pelas bruxas e que Macbeth sempre tenta interferir, e com isso ele acaba por concretizá-lo. Ele quis matar Banquo e o filho, mas matou apenas Banquo, confirmando que o homem não seria rei, porém o filho continua vivo. Dessa vez, ele vai atrás de Macduff, mas Macbeth consegue matar toda a família do cara, menos o cara.

Talvez você possa pensar que é só parar por aqui, mas Macbeth foi longe demais, longe em atos e em crença. Ele tem as profecias das bruxas como norte de vida, e tudo o que vai fazer tem aquilo como verdade incontestável. Ele se refugia em Dunsinane, e as notícias que chegam são terríveis. Macbeth começa a pegar ranço até de quem só traz a mensagem: "Pobre coitado". E quando o homem conta que a floresta parecia estar se movendo, aí é que Macbeth tranca a ponto de não passar nem o Wi-Fi.

Sim, do lado de fora, Siward, Macduff, Malcolm e mais uma renca de gente estão fazendo um cercadão cênico, e eles decidem se disfarçar com galhos cortados. Eu vi que tem uma discussão sobre o que seria isso, como eles fizeram dar certo; eu imaginei que pudesse ser assim, ou assim. O certo é que eles fizeram isso. E é aí que a confusão começa: porradaria, espada, sangue, desespero. Na confusão, Macbeth encontra-se com o jovem Siward e, confiante de que não poderia ser morto por alguém nascido de mulher, como disseram as bruxas, ele o derrota. Mas finalmente ele e Macduff, cuja família foi covardemente assassinada, encontram-se, e a porrada come. Só que, no meio do duelo, Macduff revela que não foi parido, mas arrancado da barriga da mãe prematuramente. É aí que Macbeth entende que chegou seu fim. Macduff vence, arranca-lhe a cabeça, dando fim ao reinado do tirano. Assim, Malcolm, o filho do rei Duncan, tem sua vingança e seu reino restabelecido. E é assim que termina a história. A título de curiosidade, lembra de Fleance, o filho de Banquo, que sobreviveu à emboscada? Então, é dele que vem a Casa Stuart, que reinou na Escócia, na Inglaterra e na Irlanda. As bruxas acertaram em tudo.

Um dos momentos mais icônicos da peça acontece quando Macbeth percebe que foi tudo em vão. Ele diz: "A vida nada mais é do que uma sombra ambulante…". Essa é a essência de Macbeth: uma tragédia sobre a futilidade da ambição.

Ao longo dos séculos, Macbeth inspirou incontáveis adaptações, de versões clássicas no teatro a filmes como *Trono Manchado de Sangue*, de Kurosawa. Cada adaptação reinventa a peça, mas todas mantêm a essência da queda de um homem dominado pelo próprio desejo. E assim terminamos nossa jornada pela obra de Shakespeare. Mas será que Macbeth ainda é relevante hoje? Não tenho dúvida. Sempre que alguém é consumido pela sede de poder e não mede consequências, a tragédia se repete. Afinal, histórias de ambição e traição são, infelizmente, atemporais.

Agora eu quero saber de vocês: qual a adaptação favorita de Macbeth? Deixe nos comentários e, claro, não se esqueça de curtir e se inscrever para mais conteúdos como esse. Nos vemos no próximo vídeo.