No vídeo “Ilíada de Homero: Canto 8 [RESUMO]”, Lucas Rosalem faz um resumo detalhado do oitavo canto da *Ilíada*, abordando as intervenções divinas, o desenrolar da batalha e as reações das deidades.
O canto 8 começa com Zeus reunindo todos os deuses no Olimpo e declarando que, a partir daquele momento, qualquer divindade que intervier em favor dos humanos sofrerá severas punições, sendo enviada ao Tártaro. Além de ameaçar, Zeus desafia os deuses a não interferirem. Atena, porém, argumenta que os deuses estão ajudando porque têm compaixão pelos homens. Se Zeus realmente quiser que ninguém intervenha, então assim será; porém, desde o início da *Ilíada* há sempre alguém que promete não intervir e acaba fazendo o que prometeu.
Depois disso, Zeus monta sua carruagem e desce ao campo de batalha para observar os dois exércitos. A luta recomeça com violência extrema; a descrição indica que a terra ficou alagada de sangue. Como Zeus havia proibido a interferência, ele ergue uma balança dourada que simboliza o destino dos homens. Quando segura a balança, o peso inclina‑se para o lado dos troianos, indicando que a vitória seria deles, enquanto o lado dos aqueus desce até o chão, prenunciando a derrota grega.
Os aqueus começam a ser massacrados; poucos nomes conhecidos permanecem, e a maioria dos combatentes foge. O único que fica para trás é Nestor, já idoso, cujo cavalo também foi ferido, impedindo sua retirada. Éetió, reconhecendo Nestor, dirige‑se a ele, mas Ulisses avisa Diomedes, que então volta para salvar Nestor e levá‑lo a cavalo. Enquanto isso, um condutor da biga, chamado Enu, é atingido por uma flecha de Heitor, morrendo. Heitor, irritado, procura outro condutor para a biga, mas Zeus lança um raio à frente dos cavalos, provocando uma labareda que os assusta e os faz parar, atrasando os troianos.
Com os troianos se aproximando, Diomedes tem a oportunidade de enfrentar Éetió. O texto relata que Diomedes hesita três vezes, temendo a fuga dos aqueus, mas acaba avançando. Éetió grita para os aqueus que a muralha e a vala construídas pelos troianos não os protegerão e que incendiará os navios aqueus assim que possível. Ele também propõe tomar o escudo de Nestor, adornado com ouro, que era famoso entre os gregos. Essa intenção irrita a deusa Era, que observa tudo do Olimpo; ela considera ofensivo o ato de tomar a armadura de um morto, prática que visava envergonhar o falecido. Assim, Era incita Agamenon, inspirando‑o a motivar os aqueus e a orar a Zeus por ajuda, embora Zeus esteja inicialmente contra eles.
Apesar da balança indicar a derrota dos aqueus, Zeus, comovido, envia um sinal a Agamenon na forma de uma águia que prenuncia um futuro favorável. Essa ambiguidade reflete a natureza incerta dos destinos e das profecias divinas.
Enquanto os troianos avançam, Diomedes mata vários aqueus que se aproximam das muralhas e das embarcações. Surge Teucro, meio‑irmão de Ájax, que lança uma série de flechas contra Éetió, acertando vários alvos. Ele também fere Gorgo, irmão de Éetió, que conduzia a biga. Éetió, então, sai da biga, pega um tronco e o usa como arma contra Teucro. Os troianos cercam os aqueus, que tentam fugir para as naus; muitos são mortos nas muralhas.
As deusas Era e Atena ficam comovidas com a perseguição e a morte de tantos aqueus. Como Zeus havia proibido sua intervenção, elas discutem e, em fúria, decidem contrariar o decreto divino. Zeus, enfurecido, convoca a mensageira Íris e ordena que ela avise as deusas de que suas carruagens serão sabotadas e que sofrerão graves ferimentos. Contra Atena, Zeus promete lançar um raio tão potente que levará dez mil anos para que ela se recupere; contra Era, ele se mostra menos agressivo, mas ainda assim ameaça.
Íris entrega a mensagem, acrescentando que Atena não aguenta mais lutar contra Zeus por causa dos mortais. As deusas, irritadas, retornam aos seus tronos com expressões de desdém. Pouco depois, Zeus reúne novamente todos os deuses; as duas deusas sentam‑se afastadas, evitando o olhar dele. Zeus pergunta por que estão tão descontentes e, ao ouvir a resposta, dá um pequeno sermão. Era, ainda nervosa, declara que não intervirá mais diretamente na guerra, mas continuará a dar conselhos aos aqueus. Zeus, por sua vez, afirma que o curso da guerra seguirá o que já estava destinado: os aqueus serão derrotados, e Éetió será parado por Aquiles somente quando Pátroclo, amigo de Aquiles, for morto — exatamente como a profecia previu.
O canto termina com Zeus minimizando a importância da ira de Era, afirmando que ninguém tem mais autoridade sobre ele. Enquanto isso, Heitor recua com os troianos, pois nenhum dos dois exércitos costuma lutar à noite; eles respeitam esse horário. Éetió promete, no dia seguinte, tentar novamente enfrentar Diomedes e incendiar as naus aqueus. Os troianos, então, oferecem o campo aos deuses. O texto descreve que os ventos levaram o aroma da planície ao céu, mas os deuses não o degustaram, indicando que, embora o cheiro fosse agradável, eles não quiseram apreciá‑lo, pois já nutriram aversão a Troia e aos troianos.
Assim se encerra o canto 8 da *Ilíada*. O próximo vídeo deve abordar o canto 9; fique atento ao canal.