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“Herbert West: Reanimador” – Cuidado com a cabeça! – LOVECRAFT

Herbert West: Reanimador - Análise do Conto de Lovecraft

"Herbert West: Reanimador" é um dos contos mais icônicos de H.P. Lovecraft, misturando elementos de terror científico, necromancia e até um inesperado humor negro. Na análise a seguir, exploramos a estrutura em capítulos dessa noveleta clássica e os experimentos macabros de seu protagonista.

Esta noveleta foi escrita entre 1921 e 1922 e publicada nos anos de 1922 a 1923 na revista *Home Brew*. É um conto que mistura necromancia, ficção científica e horror cômico, gêneros que o Lovecraft não curtiu muito misturar. Ele falou em cartas, inclusive, que escreveu essa noveleta e não gostou do resultado porque achou que o motivo da escrita foi puramente comercial, e não artístico. Ele achava que isso tinha resvalado na qualidade do texto, mas eu discordo, pois acho um texto divertidíssimo. A noveleta é dividida em seis capítulos, e nela acompanhamos a história de Herbert West. Cabe salientar que li nesta edição da *D. Classics*.

Mas qual é a história da noveleta? O Capítulo 1 tem o título de "From the Dark" (Do escuro). Aqui somos introduzidos ao protagonista, que não é nomeado, mas é amigo de Herbert West. Os dois fazem o curso de medicina na Universidade de Miskatonic, em Arkham, a grande universidade e cidade onde todas as monstruosidades de Lovecraft parecem habitar. Esta cidade não é diferente. Herbert West tem uma teoria e estudos em que acredita que, ao trabalhar com o tecido humano e cerebral com determinadas substâncias, ele pode trazê-lo de volta à vida. Temos a introdução de West e desse seu amigo, que juntos começam a efetuar esses estudos. Eles dependem dos corpos que são fornecidos à universidade, meio que surrupiando alguns deles para injetar essa substância. O corpo dá alguns tremeliques, mas não volta à vida; ele só responde de maneira espasmódica.

O segundo capítulo tem o título de "The Plague-Daemon" (O demônio da peste). Essa parte da noveleta já é mais interessante, porque eles precisavam de corpos para efetuar sua pesquisa. E o que é melhor para um pesquisador que quer corpos frescos do que uma praga? Está tendo uma epidemia de tifo na cidade de Arkham, e Herbert West se vê ajudando como cirurgião. Como a maior parte dos infectados não é embalsamada — justamente para evitar o contágio —, West vê uma excelente oportunidade. Eles aproveitam o caos e conseguem trazer um indivíduo de volta à vida. Só que o maluco mete o pé, mostrando um comportamento extremamente agressivo e selvagem. Ele pula a varanda do segundo andar e os dois são encontrados inconscientes no dia seguinte. West fica com a sensação de que está sendo perseguido e, depois, descobre que esse doido foi parar em um asilo psiquiátrico em Boston.

No Capítulo 3, temos "Six Shots by Midnight" (Seis tiros à meia-noite), um capítulo muito interessante em que eles terminam o curso de medicina e decidem dar continuidade à sua empreitada. Eles acham um lugarzinho afastado da cidade, próximo a um cemitério. Porém, descobrem que estão acontecendo umas lutas de rua para entretenimento do povo e acham o corpo de um boxeador que foi morto repentinamente. Como é um boxeador negro, Herbert tem que fazer alguns ajustes, pois a raça e a cor da pessoa influenciam no experimento. O Coronel Buck Robinson, que é um lutador conhecido, é revivido, digamos assim, e eles têm que dar seis tiros nele. É muito engraçado como os personagens vão ficando cada vez mais aturdidos por conta disso.

O Capítulo 4, "The Scream of the Dead" (O grito do morto), traz um experimento com um médico. Neste capítulo, a narrativa faz com que Herbert West fique cada vez mais interessado em corpos extremamente frescos, ou seja, que acabaram de morrer. Ele dá uma desculpa pro protagonista, dizendo que o cara acabou de ter um ataque cardíaco, e você fica pensando se é verdade mesmo. O corpo é muito fresco, ele consegue revivê-lo, e a última coisa que o morto fala é: "Seu desgraçado, tire essa agulha de mim!". Descobrimos que foi um puro assassinato quando ele chegou à clínica do Dr. Herbert West, e ele dá esse grito.

No Capítulo 5, "The Horrors from the Shadows" (O horror das sombras), eles partem para a Primeira Guerra Mundial com o intuito de continuar os experimentos. Eles acabam servindo como cirurgiões médicos e conseguem uma sala exclusiva para os experimentos. Nela, West encontra o corpo de um dos capitães e consegue reanimá-lo junto com seu parceiro de estudos. Assim que o corpo é reanimado — e ele está sem cabeça, separada no lugar —, eles conseguem ouvir do compartimento onde colocaram a cabeça coisas como "Não, não, não faça isso", como se alguém estivesse reemorando as lutas que tivera antes de morrer. A artilharia atinge o hospital, eles não lembram de mais nada, mas Herbert West fica completamente neurótico contra essas criaturas.

O último conto é o Capítulo 6, "The Tomb Legions" (As legiões do túmulo). Termina com eles voltando da Primeira Guerra. Herbert West decide que não vai mais fazer seus experimentos, ou, se o fizer, será de maneira muito mais esporádica. Ele tem um aparato completo na casa que adquiriu, e na parte inferior, onde fica o laboratório subterrâneo, há uma passagem que leva a uma espécie de catacumba. Ele mandou fechar a passagem. Porém, tudo muda quando ele vê no noticiário do jornal o caso de uma pessoa belíssima, mas com a pele muito esticada e olhos gélidos, que chegou ao hospital psiquiátrico querendo soltar um determinado paciente. Os funcionários recusam, mas percebem que a cabeça da pessoa era um manequim.

Assim que percebem isso, o pau quebra: eles têm que lutar contra essas criaturas para impedir que libertem aquele doido da cela, o mesmo que fugiu lá no comecinho. Tudo é interrompido com o som de batidas na porta. O amigo de Herbert West vai atender e recebe uma caixa que provavelmente veio de uma dessas criaturas perambulantes. Enquanto eles a analisam, West percebe que a carta é justamente de um dos capitães da Primeira Guerra. O amigo percebe que a entrada da catacumba está sendo aberta tijolinho por tijolinho. Entram aquelas criaturas e acabam com Herbert West. O amigo desmaia, acorda no outro dia, e a polícia obviamente não acredita no que aconteceu.

A noveleta termina dessa maneira. Eu acho muito interessante a dinâmica, o quão bem-humorada ela é — o que é difícil de ver em Lovecraft —, como a cena do cadáver entrando com cabeça de manequim no asilo. Foi muito engraçado. Ela termina nesse clímax divertido e quase cármico, da ideia de que o mal que você fez um dia volta para você. Eu achei muito interessante, principalmente com essa ideia de voltar à vida. Mas enfim, *Herbert West: Reanimador* é uma história muito interessante. Espero que vocês tenham gostado, e eu vejo vocês no próximo vídeo com mais uma história. Até mais!