Ele foi um mestre nesse final aí, cara. Foi, pô. Foi essa frase aí. Tem um amigo meu que memorizou. Eu lembro dela a parte essencial, mas eu quero ler ela todinha, a frase toda. Eu lembro o finalzinho da frase, mas eu quero ler tudo, né? Animal Farm, que saio, eu lembro de cabeça, pô, fazendo. É justamente vou ler aqui para dar o contexto: "Ainda não tinham se afastado mais de 20 metros quando pararam." Os animais estavam fora, né? "Um alvoroço de vozes vinha da casa da fazenda. Eles correram de volta e olharam pela janela novamente. Sim, uma violenta briga estava em andamento. Havia gritos, pancadas sobre a mesa, olhares suspeitos, negações furiosas. A fonte do problema parecia ser que Napoleão e o Sr. Pilkington tinham jogado um ás de espadas simultaneamente. Doze vozes gritavam raivosas e iguais. Agora não havia mais dúvidas sobre o que havia acontecido com os rostos dos porcos. As criaturas lá fora olhavam de porco para o homem e de homem para porco, e de porco para homem novamente, mas já era impossível dizer quem era quem."
Cara, na minha versão tá mais legal, cara. É, sim, eu sei. Tornara impossível distinguir quem era homem e quem era porco. Porco. É, essa é a frase normal, é que eu peguei a primeira tradução que eu achei aqui, pô, né? Essa aqui é a capa da edição que eu encontrei aqui, que não foi a que eu li, mas foi que eu abri, baixei o PDF agora. Até é uma capa maravilhosa, né? Tem um porco gigante aqui, os animais aqui, né? E aí tem pro final, né? Tem lá pro final que é uma imagem parecida com essa, que é muito, que é muito f***, velho. Aqui, ó. Olha isso aqui, velho. Os animais, né? O asno, ovelhas, patos, ovelha, cachorro, vaca. Aqui, ó. Aí tem ovelha gorda, cavalo, né? Cavalo. E o porco aqui, ó, com o pássaro em cima, tá ligado? Com o corvo, Moisés, velho. E olha isso aqui, velho. Cara, isso aqui é de amedrontar, né, velho? Esse porco gigante, gordo, enorme, tá muito bom. Dá uma tatuagem. Dá uma… Isso aqui dá uma tatuagem com esse corvo aqui em cima, né? Várias indiretas aí contra a igreja aí, mas não vou comentar não. É, né? Ele tem a terra prometida, ele vai e volta.
Este livro é muito interessante, cara, para aquela série que a gente vai fazer, para tirar alguns conceitos do Orwell sobre organização social, sobre estado, governança. Por exemplo, ele vai falar da importância da lei. Você vê que quando tem a lei, fica mais fácil para os animais e tal, só que ele também vai falar sobre como a lei é fácil de ser manipulada. Sim, né? Ele vai falar também sobre, por exemplo, como o verdadeiro inimigo das pessoas é qualquer um, qualquer um que queira restringir a liberdade das pessoas em nome do coletivo. Curiosamente, ele tá escancarado isso lá. No fim das contas, ele tá dizendo, com esse abuso de poder dos porcos, por exemplo, que enquanto você continuar tendo os incentivos e os meios, sempre você vai ter tiranos se levantando em qualquer tipo de governo que seja. Isso acontecia antes e acontece na Fazenda dos Animais.
E eu acrescentaria aqui, segundo o livro, deixa eu pensar como é que eu digo isso, que tem que ser realmente um animal para você continuar acreditando numa palavra. É que ele fala, né? Fala, para hoje em dia, para você ser feliz na política, você tem que ter a memória de um animal, né? Que é isso? Que eles têm que ter a memória tão curta para você não conseguir juntar as peças e falar: "Que inferno". Você tem que ser tudo menos um asno, porque o asno é o que lembra. Ele fala que desgraça é exatamente por isso que o Benjamin, que é o burro, ele é o único animal inteligente ali, além dos porcos, né? Mas ele é completamente cético à política de uma forma geral, às ideologias, aos sistemas, aos políticos, né? É justamente o Benjamin, né? É o burro ali, mas ele é o único cético ali e ele sobrevive a tudo aquilo.
Sim, ele sobrevive, mas é que tá. O que eu falo é que ele também está ferido, porque ele perde o melhor amigo, pô. É, não tem como, né? É esse que é o problema, velho. Até o melhor dentre eles sai perdendo, porque perdeu o amigo, velho. E olha que ele é o oposto, né? Ele e o Sansão são opostos um do outro, e eles são grandes amigos, cara. E a fala bonita, né, que o Sansão fala: "Pô, daqui a um mês eu vou me aposentar. E daqui a pouco vai ter o meu amigo, né? Vai ter o meu amigo Benjamin para me acompanhar, pô." E depois acontece aquilo com ele, e você fica, caraca, velho. Porque o Benjamin também devia estar… tudo bem que ele é cético, mas o Benjamin devia querer aquilo no coração dele, ele devia querer, né? Tipo, pô, né?
Mas aí eu acho que o que acontece com o Benjamin de uma forma geral é porque assim, ó, o Orwell, apesar dele ter alguma esperança lá com relação ao socialismo, aquele socialismo da cabeça dele, ele é bem pessimista, né? Ele é pessimista no final de 1984 também. Não vai, não tem uma reviravolta no final e acaba tudo bem, nem com esperança, acaba malparada. O Orwell aqui, ele tá pintando cenários, tanto nesse livro quanto no outro, cenários impossíveis. E o que ele tem gravar… Tem no YouTube. Pô, vamos botar isso aqui rapidão. É assim, não, não é o vídeo todo, não. É só, é só o final, tá? Só o final. Orwell. Não, não, não, não. O final do Orwell falando em inglês. Orwell interview. Eu já vi essa. É só o finalzinho. É só o finalzinho. Entrevista dele dando para uma moça, que é "Last Interview", né? A última entrevista do Orwell, né? É, eu acho que é essa aqui. Deixa eu ver. Essa mesmo aqui.
Vou pegar aqui, ó. Cadê? Pronto, aqui. Beleza. Eh, deixa eu compartilhar aqui com vocês rapidão, só para finalizar. Gente, eu não vou traduzir, tá? Eu vou deixar aqui para vocês verem. Se não entendeu inglês, não entende. Depois vê com legenda no YouTube. É fácil. Bota aí "Orwell última entrevista legendado". Põe aí, pô. Vamos botar aqui as palavras do cara aqui, né? Ô, f***. Não, aqui não. Eh, compartilhar a tela aqui. Tão vendo, né? Sim. Show.
Aí tem essa repórter aqui, ela tá entrevistando ele. É engraçado porque ele é um repórter da BBC. Aí ele já tá aposentado, já não é da BBC, e ela agora é uma repórter da BBC entrevistando ele, né, sendo entrevistado pela BBC. Mas vamos lá: *"rage, triumph, and self-abasement. The sex instinct will be eradicated. We shall abolish the orgasm. There will be no loyalty except loyalty to the party. But always there will be the intoxication of power. Always at every moment there will be the thrill of victory, the sensation of trampling on an enemy who is a picture of the future, imagine a boot stamping on a human face forever."*
"The moral to be drawn from this dangerous nightmare situation is a simple one. Don't let it happen. It depends on you."
Será que deu para ouvir? Deu, deu para ver. Pessoal viu, pô. Pessoal viu. Vou repetir aqui rapidão com as palavras dele, tá? "Don't let it happen. It depends on you." Ele olha para a câmera. Ele olha para a câmera. Essas falas aí, cara, são do O'Brien. Ele memorizou esse negócio que ele escreveu e são as falas do O'Brien: *"If you want a picture of the future, imagine a boot stepping on a human face forever."*
É isso, cara. Ele memorizou e fala qual que é a moral do 1984. É essa. Qual que é a moral de Animal Farm? É essa. "Don't let it happen. It depends on you." Ele tá pintando um cenário. Não é que ele não tem esperança. O Orwell sempre teve esperança. Ele sempre escreveu por ter esperança. Mas ele diz: "Olha, gente, tem cenários em que a esperança morre, tá? Tem cenários em que não tem como voltar." E ele justamente faz com essa pegada assim forte e bem determinista. Não sinto que ele é determinista, mas ele fala, a partir de um ponto, não tem volta. A partir de um certo ponto, não tem volta. E a repórter, você vê a cara dela, tá assim, ó. A mulher tá desesperada.
Taba até pro cara, acabei. Vocês não podem esquecer, gente, que 1984, né… Animal Farm foi escrito antes, foi em 42, 41, quando é que foi? Lançou Animal Farm em 1945. 45 foi. Então foi depois, pô. Foi depois. Animal Farm foi depois. E antes disso foi o 1984, né, que foi em 48. Não, pera aí. Ah, não é… Tô maluco. Tô maluco. Foi 3 anos depois, Animal Farm foi 45 e 1984 foi 48. Então assim, aquilo ali é uma entrevista, sei lá, de 49, anos 50, sabe? E aquilo tudo tava acontecendo. Tinha um risco ainda. A União Soviética tava lá, o nazismo tinha sido derrotado, mas a União Soviética tava lá. Enfim, tipo, ainda tinha a pegada totalitária, o mundo já tava na Guerra Fria, né? E tipo assim, tudo aquilo ali eram riscos reais.
Aí a mulher tá… Ele tá descrevendo para a mulher, sabe? A visão dele possível do futuro. Não que é a visão, mas é possível. E a mulher assim, ó, a entrevista inteira está apavorada, cara. Ela realmente, porque ele é um repórter, um jornalista, ele é um cara que justamente vai informar as pessoas, sabe? Ele é tipo… Ela é uma jornalista que olha para cima na carreira dela e ela vê lá em cima no pedestal o Orwell, porque ele é um grande jornalista, muito importante, um dos mais importantes. Pô, ele e o Balon são jornalistas incríveis, sabe? Incríveis mesmo, né?
E aí o que que ele fala, né? "Don't let it happen. It depends on you." E a mulher deve estar tipo, cara, não posso deixar isso acontecer nunca, de jeito nenhum, velho. Não posso deixar isso acontecer, velho. Ela está realmente: não pode deixar isso acontecer, porque ela leu os livros. Ela leu e fala: "Ah, é meio triste demais, né? Por que que você botou isso ali?" "Porque eu acho que isso vai acontecer. Eu acho que isso pode realmente acontecer." Ela tá tipo, caraca, velho. É sinistro, né?