A novela *O Monge Negro*, escrita por Anton Tchekhov na década de 1860, apresenta a trajetória de Andrei Kovrin, um acadêmico brilhante e jovem promissor que, consumido por um ritmo exaustivo de trabalho e estudos, começa a sofrer de esgotamento mental, manifestando claros sintomas de estresse crônico. Para tentar recuperar a saúde, ele aceita o conselho de um amigo médico e parte para o campo, hospedando-se na propriedade de um antigo mentor cuja filha, Tânia, ele conhece desde a infância. No entanto, mesmo no ambiente rural, Kovrin continua incapaz de desacelerar, mantendo-se imerso em seus pensamentos e trabalhos intelectuais, cenário propício para o aprofundamento de sua instabilidade psicológica.
Durante a estada, Kovrin se distrai ao ouvir fragmentos de uma música executada por Tânia e seus convidados e, tomado por uma inspiração súbita, afasta-se para caminhar ao entardecer. É nesse momento que ele presencia o surgimento de um redemoinho que se aproxima rapidamente e dele se materializa um monge vestido de preto, uma figura fantasmagórica que sorri e desaparece logo em seguida. Em vez de questionar sua própria sanidade diante de tal alucinação, o protagonista prefere acreditar que a lenda ancestral sobre o monge misterioso — um espírito que vagava pelo deserto da Arábia milênios atrás — é perfeitamente real, alimentando um delírio que passa a ocupar o centro de sua existência.
A narrativa avança com o fortalecimento dos laços entre Kovrin e Tânia, culminando em um pedido de casamento que é recebido com entusiasmo tanto pela jovem quanto por seu pai, que nutre profunda admiração pelo acadêmico. Paralelamente, o protagonista intensifica seus colóquios imaginários com o monge negro, que passa a visitá-lo com frequência para proferir elogios estrondosos, convencendo-o de que ele pertence a uma elite intelectual destinada a conduzir a humanidade rumo à verdade eterna e ao progresso espiritual. Essa megalomania infla o ego de Kovrin a ponto de ele se emocionar profundamente com as próprias fantasias, enxergando a si mesmo quase como um mártir de uma causa nobre e universal.
O clímax dessa ilusão ocorre quando Tânia flagra o marido conversando sozinho, rindo e gesticulando no quarto enquanto ela tenta dormir. Confrontado pela esposa e pelo sogro, que percebem o avanço alarmante de seu transtorno mental, Kovrin finalmente admite que está doente e concorda em submeter-se a um tratamento psiquiátrico na cidade grande. O processo terapêutico é bem-sucedido na medida em que o liberta das alucinações e o faz enxergar a realidade, mas traz consigo um efeito colateral devastador: ao perder o delírio de grandiosidade, Kovrin percebe-se transformado em um homem comum, racional e irremediavelmente medíocre.
Nos anos seguintes, a vida do protagonista desmorona completamente. O casamento com Tânia chega ao fim após desentendimentos profundos e dolorosos, marcados por palavras cruéis que ele proferiu em momentos de amargura. O pai de Tânia morre adoentado pela angústia e pela ruína da propriedade, gerando uma culpa inextinguível. Vivendo debilitado em um hotel na companhia de uma nova mulher que atua essencialmente como sua cuidadora, Kovrin recebe uma carta tardia e acusatória de Tânia. Pouco depois, em meio a uma hemorragia pulmonar fatal, o monge negro reaparece pela última vez para sussurrar que ele é um gênio cujo corpo mortal simplesmente falhou. O protagonista morre estirado no chão, mas com o rosto congelado em um sorriso de suprema e delirante felicidade.