A Ser Dita pela Irmã do Autor
Enquanto o Tempo tudo consome, em fluxo incessante,
Destrói os laços que os colegas estudantes conhecem;
Esses laços de amizade, cujo poder cativante
Lança uma sombra triste sobre a hora da despedida;
Com carinho pausamos, relutantes em nos dispersar,
E relembramos três curtos anos de agradável labor.
Com que justa orgulho examinamos nossas fileiras em ascensão;
Os inimigos do sofrimento, e os amigos do homem!
Com que consciência quase régia sentimos
Nosso poder mágico de socorrer e curar!
Que outros vangloriem o nome de um guerreiro valente,
E através da destruição busquem a fama imortal;
Nossa banda mais gentil rejeita a arte do conflito,
Nem julga mais nobre trazer a morte do que a vida;
Que louros ou honrarias marciais poderiam superar
Os louros bem merecidos de nossa pequena turma?
Lutando juntos em uma causa gloriosa,
Quantas vezes examinamos as leis de Higéia;
Quantas vezes, com ardor estudioso, buscamos a página
Onde a arte esculápia informa a era;
Quantas vezes, com cuidado desinteressado, suportamos a tensão
De vigílias exaustivas junto ao leito da dor;
Quantas vezes, além disso, suportamos com alegria
Males próprios, para que outros pudessem ser curados!
Em tais buscas, nossa amizade mútua conferiu
Um duplo fervor para ajudar e salvar;
Nossos laços cordiais aliviaram o trabalho mais sombrio,
Até que nada era tão árduo que não agradasse;
A amizade congênere floresceu com tanto calor,
Que o trabalho bem que podia provar ser um prazer social!
Com verdadeiro deleite contemplamos a cena atra típica,
Onde a sombra de Galeno assume um semblante mais brando.
Enquanto agora nos partimos, possuídos por doces lembranças,
Diséramos nós poder repetir nossas horas de estudo;
Contudo, o dever nos comanda com tom imperioso
Atender ao futuro, e seguir adiante sozinhos!
Cabe a nós dar nossa perícia a uma raça enferma,
E espalhar novo vigor através do mal persistente;
Ser os primeiros a refrescar o hálito febril do sofredor,
E os últimos a deixar o sombrio leito da morte;
Trazer alento onde o alento jamais fora trazido,
Desafiar a sombria imundície da porta do indigente;
Acalmar a mente errante com palavras suaves,
E sobre a aflição difundir um bálsamo terno;
Cuidar dos enfermos com zelo mais que humano,
E, sem reclamar, suportar cada fardo:
O bem sem fim conceder por escassa recompensa,
E provar ser os anjos de um mundo de ai!
Estas dignidades o futuro reserva:
Poderíamos, de fato, ser mais coroados ou honrados?
O prólogo acabou — sucede-se a peça da vida;
Nossos anos mais graves respondem a necessidades mais graves;
Contudo, jamais esqueceremos, na esfera mais ampla,
Os dias felizes em que aqui demoramos.
É aqui que o aprendizado moldou o rumo da juventude,
E fixou nossos passos no caminho da verdade;
Com força benigna, fixou nossos altos ideais,
E misturou arte e prática na devida medida;
É aqui, do rosto sincero de cada companheiro,
Que bebemos os goles mais fundos da graça da amizade;
E aqui nossos pensamentos mais caros hão de se aferrar,
Seja qual for a riqueza ou a fama que os anos tragam!