O Romantismo foi um dos movimentos culturais mais influentes da modernidade, tendo suas raízes fincadas no pré-romantismo europeu. A transição desse período inicial até a consolidação romântica pode ser observada de maneira exemplar na literatura alemã e francesa, com grandes nomes que moldaram a sensibilidade de toda uma época.
O *Fausto* de Goethe é um exemplo máximo dessa trajetória. Goethe, para quem não sabe, é um dos grandes nomes tanto do romantismo quanto do pré-romantismo. O pré-romantismo surge inicialmente na Alemanha, embora não conte apenas com autores alemães — Rousseau, por exemplo, foi uma figura participante desse momento inicial. Goethe viveu tanto o pré-romantismo quanto o romantismo pleno. É curioso pensar que o povo alemão, frequentemente tido como mais frio e sóbrio, foi justamente o berço do pré-romantismo e do romantismo, inaugurando essas tendências antes de qualquer outro país.
Goethe foi expoente em ambos os movimentos. Mais do que isso, gerou um fenômeno cultural inteiro chamado "werterismo", baseado em sua obra *Os Sofrimentos do Jovem Werter*. Trata-se de um movimento literário que durou cerca de vinte anos, pautado pela produção de novas variações sobre a obra. E o impacto não foi pequeno: a obra fez com que vários jovens aristocratas europeus cometessem suicídio, o que demonstra o poder avassalador daquele texto. *Os Sofrimentos do Jovem Werter* é uma obra fantástica, que certamente figurará em futuros conteúdos no canal.
Fica claro, portanto, como a sensibilidade da época era profundamente influenciada por essa estética germânica. Terminado Goethe, embora não se passe a vida inteira lendo-o, gasta-se ali um bom tempo. Caso o leitor queira prosseguir sem ir direto a Schiller — grande poeta e amigo de Goethe —, pode-se transitar para o melhor do Romantismo francês através de Victor Hugo. Não se trata da mesma estética exata, mas partilha de universos e cenários semelhantes.
A leitura de Victor Hugo, contudo, pode apresentar seus desafios textuais. Ao ler *O Corcunda de Notre-Dame* em inglês, por exemplo, depara-se com descrições minuciosas de vestimentas da época que exigem pesquisas constantes no Google para compreender os referentes exatos. Como alternativa, pode-se recorrer às obras poéticas de Victor Hugo, cuja compreensão é consideravelmente mais acessível. Há, por exemplo, uma coletânea de poemas dele — especificamente o *Pálamo* (ou *Patorum*, em grafia incerta), um capítulo de poesias de enorme destaque, a ponto de muitos leitores elegerem esta como a sua parte favorita a ponto de buscarem edições dedicadas exclusivamente a ele. Em suma, Victor Hugo é uma indicação incontornável: embora tenha transcendido os limites estritos do romantismo em sua trajetória posterior, permaneceu como um de seus maiores expoentes.