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The Crime of Crimes (Poesia #38)

The Crime of Crimes

Lusitânia, 1915

 

“Virescit vulnere virtus.”

 

Enlouquecido com o sangue belga há pouco derramado,

O prussiano bestial busca o leito oceânico;

No reino de Netuno o covarde infeliz se esconde,

E sobre o mundo seus habituais males opera.

Como um cão esgueirado, ele morde onde ninguém se opõe;

Ditosa sobre bebês, sua valentia cresce.

 

Um dia fatídico (que jamais volte a ocorrer)

Uma imponente embarcação deixou a costa da Colúmbia;

Sobre as ondas, em intépida grandeza, navegava,

Sem temer carregar sua carga inocente e indefesa.

Nenhum risco humano correu o capitão atento,

Protegido pelas leis comuns dos homens.

As leis dos homens! Que leis podem conter ou reger

O lobo prussiano, com a humanidade renegada?

Sua ameaça vã, por demais hedionda para crer,

Com sua tétrica verdade, submergiu nações em luto.

O sol brilhava, o mar não era agitado pelo vento,

Enquanto o navio orgulhoso singrava a costa da Hibérnia.

Seguro em sua inocência, sulcava as águas salgadas,

E escarnecia do temor de engenhos ou minas hostis.

Ó infâmia sem par! Poderia mente mortal

Conceber o inimigo que espreitava ao longo do mar;

Que fitava com júbilo cruento a guarda vigilante

Que cruzava o convés e avistava a terra distante?

Detém-te, Musa chorosa! Não te detenhas na visão

Que converteu o dia resplandecente em noite infernal;

Não entoes sobre o projétil, lançado com intuito diabólico,

Para cobrar seu tributo de vidas inofensivas:

Coisas tais mal pertencem à esfera dos humanos,

Nem formam um tema legítimo para rima ou canção.

Atingido pelo dardo do covarde, um alvo marcado,

Para o fundo do mar desce a barca infortunada.

Seus navios irmãos, retidos pelas ameaças prussianas,

Embora ansiosos, mostram-se impotentes para socorrer.

Godo três vezes maldito! Tua presa já abatida,

Ainda assim deves afogar centenas de indefesos!

O crime consumado, recua agora o inimigo,

E em sua fuga pusilânime rememora seus feitos.

Vingança! Das nações irmãs ecoa o clamor.

Devem os mortais morrer assim sem culpa alguma?

Devem lobos raivosos rondar as ondas impunes,

E golpear a esmo quando ninguém pode salvar?

Leis do mundo! Não tendes força para fulminar

As hordas infernais que assombram o mundo?

Há de o homem sucumbir à loucura prussiana,

E a negra barbárie nos tragar a todos?

Despertai! Hemisférios torpes, para golpear

A serpente que a todos nós desafia por igual!

A cobra que espalha seus anéis venenosos e contorcidos

Sobre a bela terra, e pilha tudo o que vê.

Não ouvistes jamais em vossa infância

A enigmática proclamação da Palavra Sagrada,

De que ele, a serpente que ferirá nosso calcanhar,

Deve por sua vez sentir nossos golpes mais fortes?

Chegado é o momento, nosso calcanhar sentiu seu ferrão;

Que nossa ira justa precipite agora a sua ruína.

Que o homem, unido, esmague a cabeça sibilante

Que o mundo inteiro aprendeu a odiar e temer.

Sufoque a vil ameaça que só se abre para mentir,

E em seu próprio veneno pereça a víbora.

Às armas! Ó nações, e aclamai a alvorada

Em que uma segunda liberdade há de nascer!