Entre as várias atividades externas de nossos membros associados, nenhuma merece mais sincero louvor e respeito do que a campanha em prol da sobriedade e da reforma atualmente conduzida pelo Sr. Andrew Francis Lockhart, de Milbank, Dakota do Sul. Sua pequena revista profissional, *Chain Lightning*, conseguiu em abril passado livrar a cidade de Milbank de seus salões de bebidas licenciados e assegurar a condenação de comerciantes ilícitos e proprietários de antros. Nem mesmo uma covarde e desprezível agremiação física pelas costas, cometida no escritório do *The Milbank News* por um indivíduo desreputado que o Sr. Lockhart havia desmascarado, conseguiu demover nosso destemido associado amador de seu nobre e necessário labor. Visto que a maioria dos membros associados provavelmente já viu o *Chain Lightning*, parece bastante extraordinário que os jornais amadores tenham feito tão pouco esforço para auxiliar no combate à ameaça da bebida forte e de males semelhantes; por conseguinte, o autor sente-se compelido a exortar a alguma ação concertada por parte de nossos editores no apoio à campanha do Sr. Lockhart pela decência, e no ataque a quaisquer fases remanescentes do problema do álcool que o *Chain Lightning* ainda não tenha atingido.
Principal entre essas fases até agora negligenciadas está uma pela qual a imprensa profissional é em grande parte culpada, e que, portanto, a imprensa amadora pode combater com uma justiça particularmente poética: a publicidade de cerveja e uísque, e especialmente aquele tipo de propaganda diabolicamente insidiosa que busca deliberadamente criar um falso sentimento moral favorável à bebida, colocando ao mesmo tempo os proibicionistas sob a luz de intrusos tirânicos.
Uma notória corporação cervejeira de St. Louis, sustentada por um capital colossal que alcança a casa dos milhões e, portanto, capaz de comprar o sentimento servil da imprensa prostituída, tem emitido nos últimos meses uma série de anúncios infames que constituem um insulto aos maiores homens que esta nação já produziu e que, por suas tendências perniciosas, deveria ter sido suprimida desde o seu início. O plano geral desta série desprezível é apresentar uma breve biografia de algum eminente estadista americano, como Washington, Jefferson, Carroll ou Morris, que viveu antes que a ciência demonstrasse as propriedades esmagadoramente deletérias das bebidas alcoólicas e, portanto, antes que a necessidade moral da abstinência total fosse enfatizada. Após louvar justamente as virtudes de cada estadista, o biógrafo intrigante menciona o fato, decerto inevitável devido ao período primitivo, de que o sujeito do ensaio era um consumidor moderado de licor e, agora distanciando-se totalmente de uma probabilidade razoável, afirma que “se o grande homem estivesse vivo hoje, ele se oporia à proscrição, a qual limita os direitos do indivíduo” (etc., etc., *ad nauseam*). Que comentário é necessário sobre um abuso tão flagrante da liberdade de imprensa? Esta série, intitulada “Artífices da Constituição”, é publicada em praticamente todo diário americano atual, alcançando e corrompendo a mente primitiva do trabalhador, e pervertendo o intelecto impressionável da criança. É veneno da espécie mais vil, distribuído por dinheiro por jornais supostamente respeitáveis, incluindo aqueles da mais alta classe, como o *Providence Daily Journal* e o *Evening Bulletin*. O leitor inteligente pode discernir com facilidade a hipocrisia desprezível e a falsidade destes miseráveis anúncios. Ele compreende profundamente o fato de que nossos antepassados sérios e virtuosos não teriam sido apenas participantes, mas líderes ativos no movimento pela sobriedade, caso ele existisse em sua época. Quanto à “liberdade pessoal”, “direitos do homem” e outras frases populares abusadas de maneira semelhante, poucos há de fato que deixem de perceber que a “liberdade” e o “direito” de um homem transformar-se voluntariamente em uma besta e, no fim, degradar a si mesmo e a seus descendentes permanentemente na escala da evolução, equivalem à sua “liberdade” e “direito” de roubar e assassinar à vontade. Se a lei pode justamente reprimir o furto e o homicídio, certamente pode com igual justiça reprimir a fabricação, a venda e o consumo daquele mal líquido que incita a maior parte dos furtos e homicídios do mundo. Quanto ao “consumo moderado”, poderíamos, sob ética semelhante, condizer com o “furto moderado” ou o “homicídio culposo moderado”. A natureza humana não admite nenhum meio-termo exato na bebida. Aquele que habitualmente bebe “um pouco”, sempre beberá ocasionalmente “um pouco demais”, pelo que o único caminho sensato é a abstinência absolutamente total. A dificuldade prática em fazer cumprir a Proibição é decerto grande, mas nenhum homem de virtude pode fazer outra coisa senão trabalhar rumo à queda final de Baco. Distinguir entre cerveja e bebidas ardentes é tergiversar. O veneno difere apenas em grau, e o uso de um encoraja inevitavelmente o uso do outro.
Mas, embora esses factos sejam perfeitamente evidentes para o leitor ilustrado, são apenas vagamente compreendidos pelas massas, que caem assim como presa fácil nos anúncios sedutores do cervejeiro e do destilador. Tal propaganda maligna não merece lugar na civilização moderna, embora revele talvez ao proibicionista a antinaturalidade essencial do anseio pela bebida e o poder crescente da reforma; os anúncios são obviamente concebidos tanto para despertar os desejos licenciosos do público quanto para anular o bom efeito do trabalho de proibição.
Como o Sr. Lockhart afirmou com pesar em uma carta ao autor, um apelo moral ou legal à classe opulenta dos cervejeiros seria infrutífero. Embotados em primeiro lugar a impressões éticas, seu dinheiro manchado protege-os da lei. A imprensa profissional, portanto, é o ponto vulnerável e o ponto lógico para nossos ataques. Nenhum método deve ser poupado para diminuir a circulação e a popularidade de cada periódico, elevado ou baixo em seu apelo cultural, que venda a si mesmo e às suas páginas ao demônio Baco. Cartas de protesto a alguns dos jornais menos ofensivos poderiam servir bem como início, ao passo que todo editor amador deveria estar disposto a ceder espaço à denúncia inteligente dos interesses do álcool. Cópias extras desses periódicos amadores, distribuídas judiciosamente a editores profissionais que toleram anúncios de uísque e cerveja, poderiam fazer mais bem do que a maioria atualmente acredita.
A imprensa e a publicidade, declara o Sr. Lockhart, são as únicas armas eficazes contra a corrupção, motivo pelo qual os membros da associação podem encontrar no trabalho pela sobriedade uma oportunidade esplêndida de demonstrar sua energia e capacidade.