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Vítor Hugo, Pena de Morte e a França – Uma História Impactante

Victor Hugo e o fim da pena de morte na França

Victor Hugo, além de ser um dos maiores romancistas do século XIX, foi uma voz incisiva contra a pena de morte na França. No vídeo, o apresentador analisa como o escritor influenciou o debate público, cita a última execução pela guilhotina e aponta as consequências legislativas que culminaram na abolição da pena capital no país.

Por que a pena de morte desapareceu na França? Dois anos depois da publicação de “O Último Dia de um Condenado”, de Victor Hugo, o movimento abolicionista ganhou força, e a prática foi gradualmente eliminada. A imagem que costuma aparecer associada ao fim da pena capital é a do último condenado executado na França: Eugène Weidmann, guilhotinado em 1939. Hugo, ao escrever seu texto, não só denuncia a crueldade da burocracia que sustenta a execução, como também gera repulsa ao detalhar o processo: atrasos, procedimentos, papelada e, finalmente, a morte.

No capítulo oito da obra, Hugo dedica‑se inteiramente à crítica da burocracia que torna a execução quase um ritual mecânico. Ele descreve, de forma sucinta, como o atraso de duas semanas, a necessidade de montar e limpar a guilhotina – tarefa que levava até seis semanas – retardam o ato, mas não impedem que ele ocorra. Essa descrição faz o leitor sentir nojo da máquina administrativa da morte.

A última execução pública pela guilhotina ocorreu em 1939, quando Eugène Weidmann foi morto diante de uma pequena plateia. A presença de um jovem de 17 anos, o futuro ator Christopher Lee, foi registrada; ele testemunhou o espetáculo que acabou por desencadear a proibição das execuções públicas. Embora a pena de morte ainda fosse legal, a reação popular ao caso de Weidmann acelerou o processo de reforma.

A pena capital foi oficialmente revogada na França em 1981, após décadas de debate impulsionado por obras como a de Hugo. Quando o Parlamento aprovou a abolição, citou trechos do romance de Hugo, demonstrando a influência duradoura de sua argumentação. As frases do autor, escritas em francês, foram recitadas antes do voto final, como se o próprio Hugo ainda martelasse o fim da prática.

Victor Hugo não se limitou a ser um escritor; ele também atuou como político. Já antes de ingressar na vida pública, era conhecido por sua postura firme e por suas críticas sociais. Quando se tornou deputado, continuou a escrever sobre diversos temas, sem jamais abandonar a literatura. Seu impacto nas leis se deve, sobretudo, à força de suas ideias, que já eram contundentes antes de sua carreira política.

O apresentador relata que pretendia adquirir a obra completa de Victor Hugo, composta por 18 volumes, cada um com mais de mil páginas, ao preço de 180 €. Ao perceber a magnitude da coleção, reconsiderou a compra, mas destacou que Hugo escreveu mais que muitos outros autores, inclusive mais que o teólogo Tomás de Aquino.

No século XVIII, o filósofo Cesare Beccaria publicou “Dos Crimes e das Penas”, obra que influenciou profundamente o pensamento abolicionista. Embora Hugo e Beccaria nunca tenham se encontrado – Beccaria morreu em 1794, enquanto Hugo nasceu em 1802 – a obra de Beccaria é citada no prefácio de alguns livros que analisam a influência de Hugo sobre a abolição da pena de morte. O prefácio menciona ainda outros intelectuais da época, como François‑René de Chateaubriand, que, embora não fosse cristão, era um dos escritores franceses mais famosos do século XIX.

Assim, a trajetória de Victor Hugo – de romancista a político e ativista – demonstra como a literatura pode transformar a legislação e mudar a história de um país.