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“A Cidade Sem Nome” de HP Lovecraft – Nem os sheiks ousam entrar neste lugar!

“A Cidade Sem Nome” de HP Lovecraft – Nem os sheiks ousam entrar neste lugar!

E aí pessoal do Universo Antar, sejam bem-vindos a mais um vídeo aqui no canal, bem-vindos de volta à nossa playlist onde eu analiso todos os contos do H. P. Lovecraft. E no vídeo de hoje nós vamos analisar um conto muito interessante com o título de "A Cidade Sem Nome". Esse conto foi escrito em janeiro de 1921 e publicado pela primeira vez na edição de novembro de 1921 da revista *The Wolverine*. Então fica aí a dica de mais um conto. Lembrando que eu li nessa edição aqui da *D. Classics*, e é um conto muito interessante. De novo nós temos o tema, a temática é do horror cósmico no Oriente Médio, que eu gosto muito. Eu só não estou aqui com a minha burca, com o meu, com a minha indumentária, porque tá muito calor hoje, especificamente. Mas ah, vamos lá, vamos direto pro conto, né?

Ah, bom, o conto começa com o narrador. Ele é mais um narrador personagem e ele também é anônimo, ou seja, nós não sabemos o nome dele. Eh, ele está perambulando a Arábia em seu camelo em busca de uma cidade desconhecida. Na verdade, a cidade é conhecida pelos árabes locais, pelos grandes xeques, mas eles não nomeiam a cidade porque eles não gostam de falar sobre ela. Eles não gostam de sequer mencionar a possibilidade da existência de uma cidade como aquela e dos horrores que nela habitam. Isso, é claro, compele o personagem da narrativa a indagar esses xeques à procura da cidade, e ele começa a ter uma localização e um, pelo menos, uma pista de onde ela possa se localizar. E ele avança pelas dunas e ele encontra a cidade.

E então aqui logo de cara nós conseguimos ver de novo aquela coisa do Lovecraft de utilizar algo que remonta a períodos imemoriais. Então a cidade, ela tá completamente desabitada, mas é aquela coisa: o processo arquitetônico através do qual a cidade fora concebida é tão fantástico que o narrador questiona a procedência, ou seja, será que foram humanos que construíram essa cidade? Então ele investiga. A princípio ele não fica lá de noite, porque ele tem maior cagaço, e faz sentido, né? Imagina você entrar numa cidade no meio do nada e, tipo assim, a cidade tá completamente deserta. Então ele só fica explorando os exteriores da cidade, as estruturas, as, enfim, os as casas, os edifícios. E quando fica de noite, ele começa a ouvir o vento sibilando, quase como se o vento também estivesse sussurrando coisas para ele. E aí ele mete o pé da cidade e fica dormindo do lado de fora junto com o seu camelo, e espera amanhecer para novamente empreender sua busca, né, sua expedição.

E ele acaba encontrando uma espécie de falésias que foram meio que tampadas pelo processo de, enfim, inúmeras tempestades de areia foram fazendo com que justamente esses golfos de areia adentrassem nessas falésias e tampassem. Então ele precisa abrir caminho com a espada mesmo, ele vai estocando as falésias para ver se ele consegue encontrar um meio de adentrar alguns desses edifícios. Ele consegue. Ele acaba se embrenhando assim, eh, eh, cambaleando, e lá dentro ele vê inscrições que remontam a uma civilização muito, muito, muito, muito antes do Egito, em que criaturas metamorfas, com semelhança de crocodilos, gatos, cães e coisas tentaculares, habitavam e saudavam, digamos assim, cultuavam deuses que ele nunca ouviram falar.

E aí, basicamente, ele encontra um meio subterrâneo. Ele acende a tocha dele, já tá quase anoitecendo, ele não consegue resistir à busca pelo conhecimento. Então isso é uma coisa comum dos contos do Lovecraft: é que o personagem tem um medo, mas a busca pelo conhecimento acaba sobrepujando esse medo que ele sente, e ele começa a descer por um lance de escadas que parece ser interminável. Ele acaba dando numa galeria, onde é uma espécie de corredor gigantesco com várias, e quase como se fosse um mausoléu, e para cada criatura que ali habitava, quase como se ali fosse uma câmara de reis e que foram mumificados. E as próprias, os próprios caixões, eles são tão bem ornamentados que o personagem fica obst, ele fica impresso com o processo arquitetônico, o processo através do qual esses caixões foram concebidos, porque eles pareciam estátuas e quase vívidos, lívidos, né?

E aí ele vai avançando pelo corredor e, através das paredes enormes, ele vê as gravuras, né, do que parece remontar à história desse povo. E então, desde antes da África sair dos mares, digamos assim, ou seja, bem no comecinho ali da vida na Terra, essas criaturas já estavam. E mostra, né? Eh, basicamente as gravuras, elas vão mostrando, o narrador ele vai sumarizando, né, que tiveram guerras, conflitos com criaturas, outros tipos de criaturas inomináveis também. E aí houveram, houve traições, houve calamidades, enfim. E aí, de repente, tem um momento-chave em que aparece uma criatura na gravura semelhante a um humano. E aí as gravuras seguintes, né, as representações seguintes dos murais, eles mostram como aquele povo repudiava a presença dos humanos, mas que acabava por sucumbir. E uma das últimas gravuras é justamente deles picotando o humano e simplesmente jogando ele na fogueira assim. E o cara fica apavorado, mas é aquilo: a história continua e mostra que eles foram, eles saíram da superfície e foram cavando o seu próprio caminho através do chão.

E aí tem próximo dele duas, eh, dois meios, né? Dois caminhos: um que leva à superfície, é um caminho ornamentado, uma porta ornamentada de metal; e outro é outro caminho que leva às profundezas. Vale salientar, né, pô, mas como é que ele ficou tanto tempo lá embaixo sem iluminação? Porque ele já conseguia ver pelo relógio dele que já tava ficando de manhã. A tocha dele se apagou à medida que ele explorava o local, e é quase como se uma luminescência sobrenatural tivesse se apossado, é por isso que ele conseguiu enxergar no escuro.

Mas é aquilo, né? Quando ele começa a, meio que, sabe, tentar dar uma bisbilhotada nesse caminho que se segue, ele começa a ouvir sons, e sons assim animalescos, e aquilo faz com que a mente dele fique um vire um, fique num turbilhão. E ele decide sair, e ele começa a fugir, né, pelos degraus, subir as escadas. Quando ele olha para trás, ele vê uma onda de criaturas demoníacas indo na direção dele.

E o conto acaba. Ele fala justamente, o narrador, não, não acredito que seja uma narrativa epistolar, mas o conto acaba, a gente não sabe o desfecho dele, não sabemos se ele foi arrastado por aquelas criaturas. Eu acho que dá sim a entender que ele foi arrastado por aquelas criaturas, e tchau, tchau, sabe? Como a maior parte dos personagens do Lovecraft, ou ele foi à loucura. Mas, enfim, o desfecho não parece ter sido muito bem para ele, e o cabelo dele, coitado, foi completamente apavorado. E então, só tinham eles na cidade mesmo, não acho que ele teria como se safar daquela.

Mas é um conto muito interessante. Ele faz menção ao Abdul Alhazred, que é o Hazred Abdul Alhazred, que é o criador do Necronomicon, e ele tem uma frase que eu vou explicar para vocês aqui agora. Vou tentar traduzir essa frase, um momento, vou tentar traduzir essa frase para vocês, porque é em inglês e é uma das grandes citações, né, que o Lovecraft, que o Lovecraft faz, né? Ah, deixa eu ver aqui, deixa eu ver aqui, ah, tá aqui: *that is not dead which can eternal lie, and with strange aeons even death may die* — ou seja, não está morto aquele que consegue, digamos assim, descansar, repousar eternamente, e com épocas estranhas, como épocas imemoriais, até mesmo a morte, o que nós conhecemos como a mortalidade humana, ela pode morrer. Ou seja, as criaturas que esse Abdul escrevera, descrevera, eram tais que elas fazem com que o personagem, ao longo da narrativa, vá recitando isso como um mantra protetor, sabe? E como se ele tivesse a confirmação da loucura do Abdul Alhazred, que para quem não sabe é o grande escritor por trás do Necronomicon, talvez um dos maiores ícones de livros assim da cultura pop, um livro que, um livro fictício, obviamente, que o próprio Lovecraft inventou, mas é muito interessante de ver isso no conto, né?

E é isso. E é um conto muito interessante. Ele tem, eu diria que ele é um pouquinho lento até demais, mas eu acho que ele compensa no final, especialmente se você já leu, por exemplo, sobre as pirâmides. Muito do que tá aqui expande esse universo dos horrores cósmicos que o autor colocou, que se passa no Oriente Médio. Então acho que é muito interessante, vale a leitura. Mas e aí, digam o que vocês acharam, e eu vejo vocês no próximo vídeo. Até mais!