Os números na Mitologia Egípcia

1 = Para os egípcios, Um não é um número, mas a essência do princípio fundamental do número, e todos os outros números são feitos a partir dele. Plutarco observou que Um não é um número ímpar quando escreveu que três é o primeiro número ímpar perfeito. O Um representa a unidade: o Absoluto como energia não polarizada. O Um não é ímpar nem par, mas ambos, pois se somado a um número ímpar, transforma-se em par, e vice-versa. Por isso ele combina os opostos, par e ímpar, e todos os outros opostos do Universo. A unidade é uma consciência perfeita, eterna e não-diferenciada.

2 = A Natureza Dualística – Para os antigos egípcios, o estado da pré-criação é formado por quatro pares de gêmeos primitivos de gênero dualista.Os egípcios viam o Universo como um dualismo entre Maat- Verdade e Ordem – e a desordem, Amen-Renef convocou o Cosmo a partir do caos não-diferenciado ao distinguir ambos, dando voz ao ideal da Verdade. Maat, como visto aqui, é normalmente retratado no formato duplo – Maat.O princípio dualista no estado da criação foi expresso pelo par Shu e Tefnut. O par formado por marido e mulher é o modo egípcio característico de expressar a dualidade e a polaridade. Esta natureza dualista manifestava-se nos textos e tradições do Antigo Egito, conforme mostram as descobertas arqueológicas. Mesmo os textos mais antigos do Antigo Reinado, conhecidos como “Textos das Pirâmides 1652”, expressam a natureza dualista: “ e cuspiste como Shu e cuspiste como Tefnut.”

Outra forma de expressar a intenção da natureza dualista está presente no texto do Antigo Egito conhecido como “Papiro de Bremner-Rhind”: “Fui anterior aos Dois Anteriores que criei, pois tinha prioridade sobre os Dois Anteriores que criei, visto que meu nome é anterior ao deles, porque criei-os antes dos Dois Anteriores.”Neheb Kau – que significa o provedor das formas/atributos – era o nome dado à serpente que representa a primordial no Antigo Egito, Neheb Kau é retratado como uma serpente de duas cabeças, indicando a natureza dualista espiral do Universo.O faraó egípcio sempre era chamado de “Senhor das Duas Terras”. Isso pode ser tanto por causa do Alto e Baixo Egito, quanto por causa da crença dos antigos egípcios em que um gêmeo idêntico de cada um vive também em outro lugar, e ambos passam por experiências semelhantes, até que se reúnem no momento da morte. Os Enumeradores Egípcios Baladi, em suas lamentações, depois da morte de uma pessoa, descrevem como o falecido é preparado para unir-se ao seu sósia (*do sexo oposto), como se fosse uma cerimônia de casamento.O ciclo perpétuo da existência – o de vida e de morte – é simbolizado por Ra (Re) e Ausar (Osíris). Ra é o neter vivo que desce à morte para tornar-se Ausar (Osíris) – o neter dos mortos. Ausar ascende e volta à vida como Ra. No Mundo dos Mortos, as almas de Ausar e Ra encontram-se, e unem-se para formar uma entidade, descrita eloquentemente no Papiro de Ani: “Sou suas Duas Almas em Seus Gêmeos”Os eternos opostos, Set (Seth) e Heru (Hórus), têm papeis semelhantes nas representações de ritos simbólicos relacionados à cerimonia da “União das Duas Terras”, retratados nos relevos das pedras em Lisht, perto de Men-Nefer (Mênfis). O simbolismo é poderoso, pois os dois opostos são o Um em um estado polarizado, no qual Set personifica o desejo não desenvolvido e Heru, o desejo em desenvolvimento.Tanto Heru (Hórus) quanto Tehuti (Toth) são mostrados em diversas ilustrações nos templos do Antigo Egito realizando a simbólica “União das Duas Terras”. Heru personifica a consciência, a mente, o intelecto e é identificado com o coração, Tehuti personifica a manifestação e a entrega e é identificado com a língua. Pensamos com o coração e agimos com a língua. Essas exigências complementares foram descritas na Estela de Shabaka (716-701 a.C): “O Coração pensa em que desejas e a Língua realiza o que desejas.”Um dos títulos do rei egípcio era “Senhor da Diadema do Abutre e da Serpente”. O diadema é o símbolo terreno do homem divino, o rei, e é formado pela serpente (símbolo da função intelectual divina) e o abutre (símbolo da função reconciliatória). A serpente representa o intelecto, a facilidade, por meio da qual o homem divide o todo em partes constitutivas, como a serpente que engole a presa inteira, e faz a digestão ao dividi-la em partes digeríveis. O homem divino consegue distinguir e reconciliar. Já que essas duas forças dualistas residem no cérebro dele, o formato do corpo da serpente (no diadema) segue as suturas fisiológicas do cérebro, onde essas faculdades especificamente humanas se encontram. Esta função dualista do cérebro é vivida em ambos os lados. A parte do diadema que fica no meio da testa representa o terceiro olho, com todas as suas faculdades intelectuais.

3 = A Triangulação da Criação – O papel metafísico do Três era reconhecido no Antigo Egito, pois cada unidade é uma força tripla e tem a natureza dupla. Isto era eloquentemente ilustrado em seus textos e tradições, onde o neter (deus) autoconcebido, Atum, cuspiu Shu e Tefnut, colocou seus braços ao redor deles e seu ka os penetrou, para tornar-se Um novamente. É o Três que é Dois que é Um. Esta ação deu origem à Primeira Trindade, a primeira fundação, o que está claro no Papiro Bremner-Rhind: “Depois de me tornar um neter (deus), havia (então) três neteru (deuses) além de mim (isto é, Atum, Shu e Tefnut)”.

Nos textos do Antigo Egito, Shu e Tefnut são descritos como os ancestrais de todos os neteru (deuses/deusas) que conceberam todos os seres do Universo. Esse triângulo formado por Atum-Shu-Tefnut possibilitou um relacionamento contínuo entre o Criador e tudo o que foi subsequentemente criado. O conceito de trindade no Antigo Egito também é encontrado nos seguintes exemplos:

A estrofe 300 do Papiro de Lenden menciona a unidade em um Ser dos três princípios, Amen, Ra e Ptah, dizendo: “Todos os neteru são três: Amen, Ra e Ptah…. seu nome secreto é Amen. Ra pertence a ele como seu rosto e Ptah é seu corpo. ”Um exemplo claro de uma Santíssima Trindade.

Outros exemplos comuns das tríades no Antigo Egito incluem: Amen – Mut – KhonsuAusar (Osíris) – Auset (Ísis) – Heru (Hórus) Ptah – Sekhmet – NefertumPtah – Sokar – Ausar (Osíris).

O santuário triplo é a atração principal na maioria dos templos egípcios, para guardar o poder triplo (três neteru) de cada templo.

Cada pequena localidade do Antigo Egito tinha sua própria tríade de neteru, isto é, uma fundação identificável. Estas tríades locais não entravam em conflito entre si – eram as fundações metafísicas de cada localidade.

Para os antigos egípcios, as Tríades/Trios/Trindades/Triângulos são uma e a mesma. Não havia diferenças funcionais entre triângulos geométricos, tríades musicais u entre as muitas trindades do Antigo Egito. O exemplo mais claro foi explicado por Plutarco com relação ao triângulo 3:4:5, na Moralia, vol. V: “Os egípcios têm em grande honra o mais bonito dos triângulos, já que admiram a natureza do Universo mais próxima a ele…”Em outras palavras, as diferentes formas dos triângulos representam as diferentes naturezas do Universo.

4 = A Estabilidade do Quatro – Quatro é o número que simboliza a solidez e a estabilidade. O significado do número 4 é mostrado nos seguintes exemplos: Os textos egípcios afirmam que o caos anterior à Criação possuía características que se identificam com quatro pares de forças/poderes primordiais. Cada par representa os gêmeos primitivos de gênero dualistas – o aspecto masculino/feminino. Os quatro pares equivalem às quatro forças do Universo (a força fraca, a força forte, a gravidade e o eletromagnetismo).Os antigos egípcios possuíam quatro centros de ensino cosmológico principais: Onnu (Heliópolis), Men-Nefer (Mênfis), Ta-Apet (Tebas) e Khmunu (Hermópolis). Cada centro revelava uma das principais fases ou aspectos da gênese.

Os quatro pares anteriores à Criação são um tema constante nestes quatro centros. Atualmente o Egito possui quatro Modos de Ensino Sufi que foram criados no século XI EC, para manter as tradições do Antigo Egito sob a lei islâmica.Os egípcios utilizavam os quatro fenômenos simples (fogo, ar, terra e água) para descrever os papéis funcionais dos quatro elementos necessários à matéria. A água é a soma – o princípio que compõe o fogo, a terra e o ar. A água também é uma substância acima das outras.E stes conceitos foram expressos nos textos do Antigo Egito como Nu/Nun, a água (líquido) primitiva que contém todos os elementos do Universo. Em Moralia, vol. V, Plutarco confirmou: “Pois a natureza da água, sendo a fonte e origem de todas as coisas, criou, a partir de si mesma, três substâncias materiais primevos: terra, ar e fogo.” A estrofe 40 do Papiro Leiden introduziu a “Criação” falando sobre o Artesão Divino do Universo, simbolizando Ptah, O Manifestador das Formas. O pilar Tet (Djed), símbolo da criação, é composto por quatro elementos. Outros exemplos incluem: os quatro filhos do neter (deus) Geb (a terra), os quatro pontos cardeais, as quatro regiões do céu, os quatro pilares do céu (apoio material do reino do espírito), os quatro filhos de Herus, os quatro vasos canopos, nos quais os quatro órgãos eram depositados após a morte.

5 = A Quinta Estrela – O significado e a função do número cinco no Antigo Egito é indicado pela forma na qual era escrito, como dois sobre três, ou como a estrela de cinco pontas. Em outras palavras, o número cinco é o resultado da relação entre o número 2 e o número 3. O Dois simboliza o poder da multiplicidade, o feminino, o receptor, mutável, enquanto que o Três simboliza o masculino. Esta era a “música das esferas”, as harmonias universais representadas entre os dois símbolos primitivos universais masculino e feminino, Ausar (Osíris) e Auset (ísis), cujo casamento sagrado gerou o filho, Heru (Hórus). Em Moralia, vol. V, Plutarco confirmou este conhecimento egípcio: Três (Osíris) é o primeiro número ímpar perfeito; quatro é um quadrado, cujo lado é o número par dois (ísis), porém, de certa forma, o cinco (Hórus) é como seu pai e de outra forma, sua mãe, pois é feito de dois e três. E panta (tudo) é derivado de pente (cinco) e falam em contar numerando de cinco em cinco.”

O cinco incorpora os princípios da polaridade (II) e da reconciliação (III). Todos os fenômenos, sem exceção, são polares por natureza, triplo por princípio. Portanto o cinco é a chave para a compreensão do Universo manifesto, segundo Plutarco sobre o pensamento egípcio: “E panta (tudo) é derivado de penta (cinco).” As estrofes 50 e 500 do Papiro Leiden começam com a palavra dua, que significa, ao mesmo tempo, “cinco” e “adorar”, e são formadas por cânticos de adoração exaltando as maravilhas da Criação. No Antigo Egito, o símbolo da estrela era desenhado com cinco pontas e representava tanto o destino quanto o número cinco. As estrelas de cinco pontas são os lares das almas que se foram bem-sucedidas, como mencionado nos “Textos Funerários de Unas (conhecidos como textos das Pirâmides), linha 904: “seja uma alma como uma estrela viva…”Heru (Hórus) é a personificação de objetivo de todos os ensinamentos iniciais e, portanto, está associado ao número cinco, pois é o quinto, depois de Ausar, Auset, Set e Nebt-Het. Heru também é o número cinco no triângulo retângulo 3:4:5, como confirmado por Plutarco.

6 = O Sexto Cúbico – A estrofe 6 do Papiro Leiden é a primeira que permaneceu intacta da série de unidades dos números 1-9. Devido às seis direções, seis é o número do espaço, volume e tempo por excelência e, sendo assim, essa estrofe fala de todas as regiões sob o domínio de Amen-Ra. Seis é o número cósmico do mundo material e, por isso, os egípcios o escolheram para simbolizar tanto o tempo quanto o espaço. O tempo e o espaço são dois lados da mesma moeda, que é perfeitamente representada na ciência da astronomia e em sua aplicação – a astrologia. Atualmente, os cientistas, concordam que há uma conexão próxima entre tempo e espaço – tão próxima que a existência de um sem o outro é impossível.

Tempo – Para o Antigo Egito todas as coisas relacionadas à contagem de tempo eram e são baseadas no número seis, ou seus múltiplos. O dia completo era/é formado por 24 (6×4) horas, sendo 12 (2×6) horas diurnas e 12 (2×6) horas noturnas. A hora era/é formada por 60 (6×10) minutos, e o minuto é formado por 60 (6×10) segundos. O mês tem 30 (6×5) dias. O ano tem 12 (2×6) meses. O Grande Ano Zodiacal contem 12 Eras Zodiacais (signos).Espaço (volume) – para defini-lo são necessárias seis direções: acima e abaixo, anterior e posterior e esquerda e direita. O cubo, a figura perfeita de seis lados, era usado no Egito para simbolizar o espaço (volume).

Os egípcios eram muito conscientes da estrutura, em forma de caixa, que é o modelo da terra ou do mundo material. O formato das esculturas chamadas de estátuas de cubo prevalece desde o Médio Reinado (2040-1783 a.C), onde o ser integrava-se à forma cúbica da pedra. Nestas estátuas cúbicas há uma forte sensação de que o ser emerge da prisão do cubo e seu significado simbólico é que o princípio espiritual emerge do mundo material. A pessoa terrena é inequivocamente posicionada na existência material.

A pessoa divina é retratada sentada em um cubo, ou seja, mente sobre matéria. Outras tradições, como a Platônica ou a Pitagórica, adotaram o mesmo conceito da representação cúbica egípcia do mundo material. Portanto, o simbolismo de “ampliar os horizontes” ou “ver além daquilo que lhe é apresentado” (nas performances teatrais) é, originalmente egípcia.

7 = O Sete Cíclico – O significado e a função do número7 no Antigo Egito são demonstrados através do modo pelo qual o número era escrito. O 7 significava a união entre espírito (Três) e matéria (Quatro). Umas das formas que tradicionalmente expressam o significado do 7 é a pirâmide, que combina a base quadrada, simbolizando os quatro elementos, e os lados triangulares, que simbolizam os três tipos do espírito.

No processo de Criação, Ausar (Osíris) é o sétimo: Nun, Atum, Shu, Tefnut, Geb, Nut e Ausar. Ausar é o primeiro a nascer da união entre céu (Nut) e terra (Geb), isto é, da união entre espírito (Nut) e matéria (Geb). Por esta razão, Ausar está associado ao número 7 e seus múltiplos. Sete é o número do processo, do crescimento e dos aspectos cíclicos básicos do Universo. Sete elementos, normalmente, formam um conjunto completo – os sete dias da semana, as sete cores do espectro, as sete notas da escala musical, etc. As células do corpo humano são totalmente renovadas a cada sete anos.

A íntima relação entre Ausar e o 7 é refletida em alguns exemplos do templo de Ausar em Abtu (Abidos):

É o único templo com sete capelas. Existem sete formas espirituais de Ausar. Existem sete barcos de Ausar. 42 (7×6) é o número de assessores/jurados no Dia do Juízo, que é presidido por Ausar.42 (7×6) é o número de passos necessários para se entrar no templo. O pilar de Tet (Djed), que é o símbolo sagrado de Ausar, tem 7 degraus, o que lembra a doutrina dos chakras do sistema de yoga kundalini da Índia. Os chakras são pontos centrais da estrutura psicofísica do homem que correspondem aos 7 pontos constituintes, junto com a ligação que os une, a chamada espinha humana.

Os 7 centros de Tet representam os 7 degraus metafóricos da escada que leva da matéria ao espírito. Já que o homem é um microcosmo do padrão cósmico, Tet representa um microcosmo da cosmologia universal.

É difícil separar o número 7 e Ausar, e o 7 marca o fim de um ciclo.

8 = A Oitava – O 7 marca o fim de um ciclo e o oito, o início de um novo ciclo – uma oitava.Os antigos egípcios e os Baladi acreditam que o Universo é composto por nove mundos (sete céus e duas terras/solos). Nossa existência terrena ocorre no oitavo mundo (a primeira terra/solo).No número 8, encontramos o ser humano sendo criado à imagem de Deus, o Primeiro Princípio. Nossa existência terrena no oitavo mundo é uma réplica, e não uma duplicação – uma oitava. A oitava é o estado futuro do passado. A continuidade da criação é uma série de réplicas – oitavas.No Egito, o conhecido texto “Sarcofago de Petamon” (Museu do Cairo, item 1160) afirma: “Sou o Um que se transforma em Dois, que se transforma em Quatro, que se transforma em Oito, e então sou o Um novamente.”

Esta nova unidade (Um novamente) não é idêntica, mas análoga à primeira unidade (Sou o Um). A antiga unidade não existe mais, e uma nova unidade ocupa seu lugar: “O Rei está morto, vida longa ao Rei.” É uma renovação da auto-réplica. Para provar o princípio da autorréplica, são necessários 8 termos. Musicalmente, o tema de renovação de 8 termos corresponde à oitava, pois atravessa os 8 intervalos da escala (as 8 teclas brancas do teclado). Por exemplo, uma oitava pode ser dois Dós sucessivos em uma escala musical, Oito é o número de Tehuti e, Khmunu (Hermópolis), Tehuti (Hérmes para os gregos e Mercúrio para os romanos) é chamado de “Senhor da Cidade do Oito”. Tehuti dá ao homem acesso aos mistérios do mundo, que eram simbolizados pelo número 8.  A manifestação da Criação surgiu através da palavra (ondas sonoras) de Ra por Tehuti.

A estrofe 80 do Papiro de Leiden retrata a criação de acordo com o que é contado em Khmunu (Hermópolis), mencionando a Octóade – o Oito Primordial – que era formado pela primeira metamorfose de Amen-Ra, o misterioso, o escondido, que era conhecido em Men-Nefer (Mênfis) como Ta-Tenen e em Ta-Apet (Tebas) como Ka-Mut-f, mas que permanecia sendo o Um.Portanto, a manifestação da Criação em oito termos está presente nos quatro centros cosmológicos do Antigo Egito.

Em Men-Nefer (Mênfis), Ptah, em suas 8 formas, criou o Universo.
Em Onnum *Heliópolis), Atum criou os 8 seres divinos.
Em Khmunu (Hermópolis), 9 neteru primitivos – a Octóade – criaram o Universo. Eram a personificação das águas primitivos.
Em Ta-Apet (Tebas), Amun/Aman/Amen depois de criar a si mesmo em segredo, criou a Octóade. A manifestação da Criação através de 8 termos também reflete-se no processo místico de enquadrar o círculo.

9 = A Grande Enéade, os Nove Círculos – Apropriadamente, a nona estrofe do papiro de Leiden do Antigo Egito fala sobre a Grande Enéade – as nove primeiras entidades que surgiram a partir de Nun.

O primeiro na Grande Enéade é Atum, que surgiu a partir de Nun – o oceano cósmico. Atum cuspiu os gêmeos Shu e Tefnut, que deram à luz Nut e Geb, cuja união produziu Ausar (Osíris), Auset (ísis), set (Seth) e Nebt-Het (Néftis).

Os nove aspectos da Grande Enéade emanam, e estão incunscritos, no Absoluto. Não são uma sequência, mas uma unidade – interpenetrando, interagindo e encadeada. São a origem de toda a criação, simbolizada por Heru (Hórius), que, de acordo com a estrofe 50 do Papiro de Leiden, é: “o resultado da unidade-vezes-nove dos neteru.”

Já que o ser humano é uma réplica do Universo, uma criança humana normalmente é concebida, formada, e nasce  em nove meses. O número 9 marca o fim da gestação e o fim de cada série de números. Heru (Hórus) também é associado ao número 5. Cinco é o número dos sólidos cósmicos (poliedros): tetraedro, cubo, octaedro, dodecaedro e icosaedro, que são formados em 9 círculos concêntricos, em que cada sólido toca na esfera que circunscreve o sólido seguinte. Estes nove círculos representam os nove – a unidade da Grande Enéade, a origem de toda a criação representada por estes sólidos cósmicos.

Na “Litania de Ra”, Ra é descrito como “Aquele com o Gato e O Grande Gato”. Os nove mundos do Universo manifestam-se no gato, pois o mesmo termo em egípcio antigo, b.st, representa tanto o gato como a Grande Enéade (que significa a unidade-vezes-nove). Esta relação acabou sendo transportada para a cultura Ocidental, na qual se diz que o “gato tem nove vidas”. Os antigos egípcios e os Baladi adoram o Gato e o que ele representa.

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