São vários ali os momentos dentro da jornada do Odisseu que ele vai se deparar com algum problema, como eu falei, né, cuja consequência vai estar relacionada diretamente com a identidade dele. Até tem o caso das sereias também, né? Tem o caso das sereias, não sei se vocês lembram como é que funciona, né? As sereias, né? O rapaz que eu ia chamar aqui, que acabou não dando para ele fazer a live com a gente, tem um vídeo muito bom que ele vai comparar sereias com as musas, né? Ele vai dizer que as sereias são como antimusas, né? Porque assim, olha só que coisa. Isso aqui é um insight muito interessante que esse cara teve, tá? Na verdade, eu não sei se foi o insight dele, mas eu vou elaborar um pouco em cima do insight dele, vou deixar um pouco mais legal do que ele colocou no vídeo lá. O insight já é bom para caramba de dizer que as sereias são antimusas. Porque enquanto o Aedo, que é o camarada que invoca as musas, ele não vai escrever, né? Isso aqui é mitológico, né? Ele não vai simplesmente ter uma ideia e vai escrever uma história. A história não é dele. Ele vai ser inspirado. Ele invoca a musa para que as musas, que são as deusas lá da memória, contem para ele a história, né, tragam as memórias a ele para ele relatar o texto, para ele escrever o texto dele lá. Nossa, eu falei de um jeito muito embananado, né? Mas é isso. O Aedo invoca a musa, a musa traz a memória dos fatos para ele e ela anota.
As sereias tinham também esse apelo muito parecido aí com as musas, porque o que elas ofereceram, por exemplo, ao Odisseu, né? Porque ninguém sabia o que as sereias faziam, porque todo mundo que ouvia o canto das sereias morria, ninguém voltava mais, né? E o Odisseu, ele quer muito ouvir o canto da sereia, né? Eu já tinha lido a Odisseia antes dessa vez, né, e é uma cena assim memorável ali, uma das cenas mais interessantes da mitologia, talvez de toda a literatura, profunda. É o ápice assim daquela coisa super impressionante, uma cena assim que te tira o fôlego, que é quando ele decide: “Eu vou ouvir o canto das sereias, cara. Eu vou passar vivo pelo canto das sereias. Eu vou descobrir que diabo que acontece lá”. E ele pede pra tripulação dele amarrar ele, né? E a tripulação vai colocar cera de abelha no ouvido e vai ignorar completamente tudo o que ele falar, né? Ele vai tentar convencer eles de desamarrar e tal, eles não podem obedecer. Na verdade, eles não vão nem ouvir o que ele está falando, né? Ele vai estar amarrado e eles vão passar dali sem nenhum prejuízo e ele vai ouvir o canto das sereias e ele não vai poder fazer nada, e nem as sereias, porque as sereias não vão entrar no barco. Então ele consegue amarrado lá e as sereias falam com ele, né?
E o que que as sereias falam? Qual é o apelo das sereias, pelo menos pro Ulisses, né? Qual é o conteúdo do canto delas? Bom, é justamente que o Odisseu tenha o conhecimento dos fatos que aconteceram, inclusive sobre ele mesmo. Olha que coisa. A diferença é que os homens que aceitavam o convite das sereias nunca mais voltavam para casa, né? As sereias devoravam os homens para quem elas cantavam, né? Tem, parece que tem uma metáfora aqui, né? [risadas] Ah, mas é interessante. Tem, com certeza tem uma metáfora boa aqui, né? Ela fica tão evidente que eu não vou elaborar, mas enfim. Então as sereias também têm essa coisa, ele ia perder a identidade dele a troco de ele supostamente ali ouvir sobre ele, ele ia morrer, né? No caso dele, ele ia simplesmente morrer mesmo, tá?
Ah, então fica claro pra gente aqui, né, que tá em jogo para caramba o lance da identidade do Odisseu, na verdade assim, da identidade como tema central aqui da Odisseia. Mas tem outro tema, outro tema também importante que é só você começar a ler a Ilíada que você vai logo fazer as conexões. E eu fiz as conexões. Eu não conheço tanto de mitologia, tá, gente? Eu não tenho muitos estudos na mitologia. Eu tenho alguns livros aqui. Deixa eu ver como é que tá minha câmera de novo aqui. Os caras não têm como saber. Eu não consigo nem… Ó, aqui, ó, tem mitologia. Depois eu posso recomendar algumas leituras, mas eu tenho alguns camaradas aqui. Deixa eu ver aqui se eu acho. Ah, para quê, né? Fica pro outro vídeo, né? Recomendação de leitura e tal. Fica pro outro vídeo. Ah, eu não tenho tanta proximidade com os costumes gregos e tal. Eu nunca li muito sobre isso. Deixa eu ver uma coisa que parece que o… Ah, tá. O Marcos falou que ele ia sair, ele ia sair um minutinho e já volta. Eu acabei não vendo a mensagem dele aqui, tá?
Mas assim, eu percebi isso, que é o tema da hospitalidade, que está por toda parte na Odisseia. E não foi por alguém me falar, não, e não foi por saber que a hospitalidade é importante para os gregos, não foi por isso. Eu vi porque eu percebo as estruturas. Então não tem como dizer que não é importante isso, que essas abordagens — a abordagem estruturalista, a abordagem dos formalistas russos e até dos formalistas tchecos também, a abordagem do neoclassicismo, é a neocrítica, e algumas outras abordagens também — elas podem revelar algumas coisas pra gente, tá? E aqui, no caso, a hospitalidade está aqui de uma forma até meio inusitada que eu vou elaborar para vocês aqui.