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“Do Além” de LOVECRAFT é o multiverso do capeta!

Do Além de Lovecraft: O Multiverso do Capeta

O conto "Do Além" (*From Beyond*), escrito por H.P. Lovecraft em 1920 e publicado em junho de 1934 na revista *The Fantasy Fan*, apresenta uma aterrorizante incursão científica a dimensões ocultas e paralelas que coexistem com a nossa realidade. A narrativa explora os perigos da busca desenfreada por conhecimentos cósmicos proibidos e a fragilidade da percepção humana diante de horrores inimagináveis.

A história é narrada por um protagonista sem nome que relata sua visita à mansão isolada de seu amigo, o cientista Crawford Tillinghast. Tillinghast construiu um aparato tecnológico avançado que emite ondas elétricas e vibrações com o objetivo de estimular a glândula pineal, permitindo aos seres humanos enxergar dimensões e entidades invisíveis que nos cercam constantemente.

Ao ligar a máquina, que emite um brilho roxo indescritível, o laboratório parece se dissolver em um vasto e colossal cenário interdimensional. Eles passam a enxergar criaturas gelatinosas e formas amorfas que se atravessam mutuamente, ocupando o mesmo espaço físico do mundo real. Tillinghast adverte o protagonista para não se mover, pois as entidades podem percebê-los, revelando que ele próprio já foi profundamente transformado física e mentalmente pelo uso prolongado da máquina, apresentando uma aparência esquelética, prematuramente envelhecida e mentalmente instável.

Conforme o horror se intensifica e sons estranhos ecoam pelo ambiente, o protagonista entra em pânico. Tillinghast, em um misto de delírio e triunfo por finalmente ter sua descoberta validada, aponta que as criaturas já os cercaram e avisa sobre uma presença logo atrás do amigo. Tomado pelo pavor, o protagonista saca uma arma e dispara contra a máquina, destruindo o aparato que mantinha as realidades conectadas.

Quando a polícia chega, encontra Tillinghast morto, vítima de apoplexia — um colapso cerebral causado pelo impacto visual e psicológico de tudo o que presenciou. O protagonista é inicialmente detido, mas liberado em seguida, pois a investigação conclui que ele agiu em legítima defesa ao destruir o equipamento que fritava o cérebro de seu criador. A narrativa encerra com o protagonista marcado por um trauma permanente, convencido de que as entidades daquele outro mundo continuam à espreita, invisíveis, ao seu redor.