Esse é mais um livro que eu encontrei, com uma galera aí falando que vai mudar completamente a sua forma de enxergar o mundo, não sei o quê. Caramba, mano, esse povo é muito estranho, cara. É sério. Que constrangedor, cara. Tem uma coisa que eu vi um vídeo falando, meu Deus do céu, o cara falou assim: "Porque o normal é nascer novo e morrer velho, mas e se fosse ao contrário?". O cara explicou assim, velho. E teve uma outra pessoa ainda que falou assim: "Não, porque beira o absurdo". A vida dessa pessoa deve ser bem divertida, né? Dos mesmos criadores de "E daí que ele virou um inseto?" e "E daí que ele nasceu ao contrário?". Caramba, mano. E daí, cara? Qual que é o grande lance? Saca? Esse pessoal vive num mundo muito louco. Eu queria viver no mundo deles, porque esse mundo deles é realmente fantástico. A privada de quem vive lá deve ser uma hidra e o cara tem que lutar com ela todo dia, senão deve ser irado. Mas falando da obra, é boa. Eu recomendo a leitura, é legal até porque tem o filme, né? Eu vi o trailer e saquei que é diferente. Falei: "Não vou ver, o filme deve ser bom, mas é outra coisa". É completamente diferente, cara. No filme ele nasce pequenininho, com a pele toda amassadinha assim. Os pais dele o doam para um casal qualquer lá e tal, e ele tem muita autonomia, sabe? Calma aí, ele não é esse cara vítima do que tá acontecendo assim com ele, porque no livro ele fica se justificando: "Não é minha culpa, não sei o quê, eu não queria fazer assim", tal. Várias vezes, pelo menos uns três momentos diferentes, ele fala isso. No filme não, tá ligado? É o Brad Pitt, doidão lá, fazendo o que ele quer, tá ligado? Ele aproveita ao máximo a vida dele, assim, mais do que uma pessoa comum. A vida dele é muito melhor do que a da pessoa comum no filme. No texto não, no livro não. É um cara qualquer, cara. Ele aproveita um pouquinho a vida, porque, é que tá, quando ele tá por volta dos seus 40, 35 anos por ali, ele vai para o exército, ele volta, ele vai na noitada, dança com as meninas ali, enfim. Depois ele vai para a universidade, joga futebol, e ele tem um período ali que é dos 40 anos, e assim, biologicamente, dos 40 para os 20 anos são os melhores anos da vida dele. E assim, ele vive 70, então os primeiros 15 são um inferno, os últimos 15 são um inferno e os 40 do meio são maravilhosos. Então mais da metade da vida dele foi show. Ele lutou na guerra, jogou futebol, se diplomou em Harvard, casou com uma mulher linda, saiu para um monte de festa, enfim. Foi o primeiro da cidade dele, de Baltimore, a ter um automóvel, né? Porque na época os automóveis ainda estavam sendo criados. Ele foi o primeiro a ter um automóvel na cidade dele, então ele não teve uma vida assim super extraordinária, mas foi extraordinária, só que nesse período do meio ele não teve uma vida tão diferente da média. Tinha ele e mais uns dez mil caras nos Estados Unidos com a vida tão interessante quanto a dele. Só que a diferença é que a dele estava vindo para trás, ele estava indo dos 40 para os 20; os outros iam dos 20 para os 40 de forma interessante, e depois, com 45, 50, começavam a ficar velhos, a sentir dores. A primeira crítica que eu tenho ao texto é o narrador. A introdução é horrível, o narrador é ruim, mas depois vai ficando melhor. Quem for ler o conto, lê isso aí numa passada de uma hora de leitura, não mais, umas duas ou três horas no máximo, é bem rapidinho. A partir de um certo momento lá, depois de umas cinco páginas, vai que vai, vai bem fácil. Para mim não foi assim, o começo achei chato, cara. A primeira frase é o narrador falando: "Me dizem que não sei o quê". Esse tipo de narrador é péssimo, péssimo. Mas depois vai ficando melhor. A história é boa. Não é um Kafka, né? O tipo de história é bem parecida com o Kafka, mas a escrita dele não é. A escrita é diferente, eu gosto. Mas você leu O Grande Gatsby? Você leu esse? Eu não conheço a história, mas O Grande Gatsby é melhor, cara. É o grande livro do Fitzgerald, né? Até pensei assim, porque aquele livro não tem nada a ver com essa história aqui, não tem nada a ver com Kafka. Então até procurei para ver se ele tinha alguma outra história parecida, na mesma pegada, e eu achei uma versão impressa dele, que é O Curioso Caso de Benjamin Button e Berenice corta o cabelo, uma coisa assim. Nossa, que história chata, cara, não gostei. Mas você queria uma que fosse parecida com O Grande Gatsby ou parecida com Benjamin Button? Porque, parecido com Gatsby, todas as histórias do Fitzgerald são, pelo que dizem, mais ou menos ambientadas na mesma época, falam das mesmas coisas, os personagens são de classes sociais semelhantes e fazem mais ou menos o mesmo percurso. É o que dizem. O Fitzgerald era um cara bem assim, e esse foi o motivo, pelo que dizem, do fracasso dele depois, porque ele fez muito sucesso na época dele, só que aí nos anos 30 e 40 ninguém queria saber da era do jazz, dos anos loucos, sabe? Mas ele não fala muito de jazz, cara. Então, pera aí, amigo, esse conto aqui sabe em qual volume que ele publicou? Contos da Era do Jazz. Eu sei, pô, mas ele não fala tanto. É engraçado que tem uma musicista famosona com o mesmo sobrenome dele, Fitzgerald, e ela é jazzista assim, ferrada. Aí você procura às vezes no YouTube e encontra ela, mas é nome artístico, será? Não sei não, acho que é o primeiro nome dela mesmo. Eu ouvi o som dessa mulher aí, cara. Agora vamos para o conto logo, que a gente está enrolando muito. Então, gente, a gente vai falar do conto, não vai falar do filme, ou vai falar um pouquinho depois, sei lá. Eu não vi, não quis ver o filme, só se precisar, só se o Lucas se empolgar como ele se empolga sempre. Vamos lá, cara, uma parada interessante é que é o seguinte.
A verdade sombria por trás de Benjamin Button