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Isso foi SORTE ou AZAR? [“E o Sol Falhou em Aparecer”] – O conto do Vossa

Isso foi Sorte ou Azar? Análise do Conto E o Sol Falhou

O conto "E o Sol Falhou em Aparecer", de Carlos Dávila, retrata a vida rotineira e melancólica de Rodrigo, um homem comum que vive em um estado constante de apatia e estagnação. A história se desenrola a partir de um encontro inusitado em um bar que está prestes a fechar: Rodrigo vê uma mulher misteriosa sentada à sua mesa, que desaparece momentos depois, apenas para reaparecer do lado de fora. Essa mulher é Laura, uma figura que, embora pareça enigmática e fora do comum para o protagonista, revela-se posteriormente como alguém que carrega seus próprios traumas e vulnerabilidades.

A chegada de Laura funciona como um elemento disruptivo na vida de Rodrigo. Ela quebra a monotonia dos seus dias e o convida para ir à sua casa, um ambiente caótico e degradado que reflete a própria alma do protagonista. O que se segue é uma noite intensa de conexão emocional e física. Movido por uma esperança súbita e por uma carência profunda — fruto de um passado marcado por rejeições e desilusões amorosas —, Rodrigo chega a fantasiar um futuro completo ao lado dela, um estado psicológico que o autor e seus debatedores apelidam ironicamente de "modo macaco". No entanto, a efemeridade desse momento se confirma na manhã seguinte, quando Laura desaparece sem deixar rastros, exceto por uma vaga sensação de vazio.

Dois anos depois do ocorrido, a narrativa revela que Rodrigo continua preso à mesma vidinha medíocre, no mesmo bar, fumando o mesmo casaco puído e imerso no mesmo tédio existencial. A única mudança real no horizonte é a notícia trágica de que Laura havia se suicidado logo após o misterioso encontro. Esse desfecho reforça o caráter melancólico da narrativa, aproximando o conto de uma estética romântica, onde o cenário urbano decadente e cinzento — a cidade onde o sol falha em aparecer — serve como espelho direto para a alma fragmentada e o niilismo dos personagens.

Na análise crítica da obra, os debatedores apontam alguns deslizes formais que prejudicam a fluidez do texto. O principal problema apontado reside na confusão dos tempos verbais, com alternâncias constantes e injustificadas entre o presente e o pretérito, o que confunde o leitor sobre o momento exato em que os eventos estão ocorrendo em relação ao narrador em retrospecto. Além disso, há ressalvas quanto ao uso esporádico de um vocabulário excessivamente arcaico ("pútrido") por parte de um protagonista que se expressa, em regra, de maneira coloquial, além de pequenos deslizes no registro de certas gírias geracionais.

Apesar dessas falhas estruturais e gramaticais, o conto é elogiado por sua construção atmosférica, pelo ritmo dinâmico dos diálogos curtos e pela densidade psicológica dos personagens. Tanto Rodrigo quanto Laura são retratados como figuras profundamente deprimidas e marcadas por mecanismos de defesa semelhantes — ele anestesiando-se com álcool, cigarro e cismo; ela buscando fugas impulsivas —, o que confere verossimilhança à tragédia de suas vidas e consolida o conto como uma narrativa marcante sobre a solidão urbana e a efemeridade da esperança.

💡 Sugestões e Dicas

  • Mantenha a consistência dos tempos verbais ao longo da narrativa, evitando alternâncias confusas entre presente e passado na mesma sequência descritiva.
  • Adapte o vocabulário do narrador e dos personagens ao perfil social e psicológico construído para eles, evitando termos arcaicos ou rebuscados que destoem da persona descrita.
  • Revise o texto para eliminar marcas de oralidade excessiva ou termos regionais/geracionais datados (como gírias ultrapassadas), a menos que isso seja um traço intencional e bem fundamentado da voz do personagem.
  • Trabalhe a transição entre as cenas de diálogo dinâmico e os momentos de introspecção para garantir que o ritmo da leitura flua sem causar estranhamento no leitor.