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Avaliação enviada em 11/08/2026

a. É preferível que você mantenha o mesmo tempo e modo verbal ao longo de uma mesma cena — e, se possível, durante todo o conto —, a menos que exista uma mudança de POV ou um recorte temporal/espacial que justifique uma alteração abrupta. Senti um pequeno estranhamento no tempo verbal em: “Vê-la fez seu estômago embrulhar.”. Acredito que funcionaria melhor como “Vê-la faz seu estômago embrulhar.”.

b. Existe aqui uma simetria interessante com a palavra “sensações”, inserida anteriormente na introdução. Ainda assim, a forma como o desconforto do personagem é reduzido a “sensações”, isolada entre pontos finais, me causou estranhamento, mesmo sabendo que esse desconforto já foi adequadamente explorado no texto. Em vez de me transmitir o paralelismo/simetria que imagino ser a intenção, a construção me passou uma sensação de texto apressado — e isso é particularmente estranho porque, claramente, a cena não é apressada.

“Tudo negro, gosto de cobre na boca. Sensações. Já passamos por isso, Leb. Deixe-me entrar.”

d. Um dos elementos em que você já acerta, mas que eu gostaria de ver ainda mais enfatizado, é a linguagem não verbal do personagem principal. Acho que você pode usá-la para construir uma gradação física e emocional mais evidente: começar com um leve desconforto, avançar para rigidez muscular, tremores ou agitação e, finalmente, chegar a manifestações extremas — um móvel destruído, uma convulsão, um grito, um choro.

Isso ajudaria a imprimir no leitor a sensação de que existe uma desordem crescente ao longo da história, da introdução até o clímax. O corpo do personagem pode funcionar quase como um marcador dessa escalada.

Por exemplo, em vez de repetir falas de desorientação como:

— O que está acontecendo? Mestre… O que aconteceu?

Você poderia reduzi-las a um gemido desorientado e, a partir daí, deixar que a linguagem corporal assuma a cena: uma agitação gradual, uma tentativa cada vez mais desesperada de compreender o que está acontecendo, até culminar em um urro de negação que mal soe humano.

e. Na resolução pós-clímax, eu gostaria de vê-lo no chão, soluçando, cortando a própria pele contra as algemas, implorando pela morte. Acho que isso fecharia a trajetória física e emocional que a história vem construindo de maneira muito mais brutal.

f. Na introdução, senti falta de uma declaração mais clara sobre se ele QUER ou NÃO QUER descobrir suas memórias. Essa sequência de “estou confuso, mestre, o que está acontecendo, eu quero e não quero saber…” acaba ficando monótona porque mantém o personagem durante tempo demais no mesmo estado emocional.

A atenção do leitor precisa receber uma ordem mais clara de ações por parte do protagonista: ele QUER saber ou ele NÃO QUER saber. A partir daí, você pode colocar esse desejo em conflito com os acontecimentos. Ele quer descobrir e algo o impede. Ou não quer descobrir e é forçado a fazê-lo. Essa oposição é muito mais capaz de prender e comover o leitor do que uma sequência prolongada de desorientação.

PLOT: Sólido. Homem sem memória é forçado a descobrir sua própria história e revela um pesadelo pessoal.

EXECUÇÃO: Eu já estou exigindo BEM mais de você aqui porque você escreve bem e já tem um universo próprio bastante consolidado.

Quero ver uma gradação emocional mais acentuada: um personagem principal que inicia o conto de terno na ópera e termina sangrando, descalço, no meio de uma floresta. Um psicopata frio que termina a história em posição fetal. Ou uma personagem insuportavelmente histérica que é tão forçada a se conter que termina o conto encarando a própria família em chamas, incapaz de expressar qualquer coisa.

Quero falas menores e descrições físicas pontuais, mas significativas, que contribuam para essa gradação. O estado emocional do personagem não precisa ser constantemente explicado; ele pode ser demonstrado pelo que o corpo faz à medida que a situação degrada.

Dito tudo isso, eu senti falta de uma linha ou duas que efetivamente evidenciasse (como se para uma criança de 5 anos) que todos os pontos narrativos que você abriu na introdução efetivamente foram fechados, à exceção das escolhas que vc propositalmente quis deixar em aberto. Eu acho que você tinha que ou explicar se houve motivação para o crime ou ao menos deixar claro se o mestre realiza seu último desejo ou não. As duas coisas em aberto atrapalharam a indução final de emoção no leitor.

ESCRITA: Duas palavras que fugiram ao tom do conto e uma fuga pontual ao tempo e modo verbal. Nada que interfira significativamente na atenção do leitor.

ESTILO: Tom bem definido, adequado ao gênero, e propositalmente confuso. Escorregou um pouco na escolha de palavras uma ou duas vezes.

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