Como pode fazer sentido uma coisa dessas? Não tem como essa premissa chegar nessa conclusão a partir do ponto que ele fez. Não seguia que o ponto A chegaria na conclusão Z, assim como ele disse, Isso não se segue, não se segue de jeito nenhum!
“Maldito gordo e pesado, como pode agir desse jeito?” Foi o que pensei na hora, mas a situação não era nada aterradora, mas sim totalmente angustiante, nunca havia passado por nada parecido, ah que aflição! “Rasgado, Frio, fétido e burro” Todas essas palavras me ocorreram na hora, mas não as disse.
Fiz um olhar frio pra ele, mas parece que não penetrou em nada, mas que insensível, talvez eu devesse tê-lo jogado uma pedra. Os atos dele não são intencionais, mas pareciam tão maquiavelicamente feitos, que estranhava não ter sido planejado antes. Porco sem vergonha!
“Barbado”, que palavra engraçada, mas barba era a ultima coisa que faltava em seu rosto, assim como não tinha nenhum tipo de escrúpulos, com seus pés imensamente fartos e duros, como se o chão não fosse duro o bastante pra aguentar seu pés, suas pernas tinham manchas pretas que contrastava com a cor de sua pele, em sua cabeça carregava aqueles cornos que tanto se orgulhava em ter e ria toda vez que as mencionassem, era realmente alguém sem modos, um completo mala sem-alças.
Não posso deixar de admitir que já pensei em agredi-lo, aquela banha gorda e grotesca, que poderia muito bem servida numa refeição pra vinte, até diria que valeria por uma hecatombe. Mas não! nunca faria isso. Seria totalmente incapaz de cometer tal ato, mas a ideia nunca deixava de passar em minha cabeça. Será que teria algo errado com ela?
Atire uma pedra aquele que nunca teve uma briga com um familiar, isso é algo normal a todas às famílias, não poderia só eu passar por uma coisa dessas, ser a única injustiçada a passar esse tamanho fardo e ressentimento.
Posso ajeitar tudo direitinho, da melhor forma possível, mas ai vem ele, aquele gordo desgraçado, estraga tudo porque precisa estar do jeito que ele faz, mesmo que isso se torne pior, as cercas da discórdia foram implantadas e nada poderia parar isso.
Um dia frio de inverno, fomos acordados de manhã pelos mugidos das vacas, então ele precisou levantar pra ver qual era o problema, não era algo incomum, já que vacas geralmente entram em partos de noite ou madrugada. Mas por seu descuido ele tinha ido só de cueca e nem reparou nisso, mesmo fazendo um frio extremamente congelante. Foi inacreditável que ele conseguiu sair assim.
Mas esse era um comportamento dele que já me incomodava há tempos, outro dia tinha faltado o leite, então falei pra ele ir ordenhar mais um pouco, e ele saiu todo orgulhoso e rindo “Há, há, há, o leite que ordenho é o melhor!”. Era bem desagradável isso.
Só que não supera de quando estávamos reunidos com uns amigos dele, e então entre risadas e bebidas gritou de forma que todos pudessem ouvir: “Que isso que tu tá bebendo?” e o amigo respondeu: “Leite”. Então começou a gozar da cara dele e dizendo “Há, Há, há, isso sim é leite de macho!”. Sério, não dá pra acreditar.
Outro dia ele me obrigou a ir junto com ele à fazendo do vizinho, mas ele na verdade só queria mostrar seu novo trator que tinha acabado de comprar. Como foi demorada aquela viagem. Ele dirigia a seus incríveis 20 km/h parecia que tudo ao redor era mais rápido do que nós, as vacas pastando, os bois mugindo, as mulas trotando, até uma mãe ganso que passava por a gente era maís rápido.
Ao chegar lá, não poupou esforços ao falar de sua nova aquisição ao amigo, esse que fazia uma cara de tremenda inveja. Não consigo compreender eles. Posso ser uma menina da fazenda, mas nunca me adaptei a viver aqui direito, ah, as coisas seriam tão diferentes na cidade….
Aquele dia não daria pra se esquecer, o frontão que o amigo tinha era realmente de se dar inveja, ia até onde a vista alcança, parecia que não acabava mais, era bem relaxante ficar por lá, deu vontade até de se deitar na grama e só ficar lá a vida toda. Jamais ocorrerá uma vontade dessas.
Ah! A tarde de um verão, como nunca tinha sentido uma sensação dessas? “Nada melhor que uma tarde de futebol e cerveja!” era o que ele diria.
Mas não preciso estragar esse momento maravilhoso pensando nele, vou me aproveitar cada segundo disso. Mas então veio em minha mente de repente, “O que será isso que sinto? Uma revolta justa ou uma rebeldia infantil?” Não sei dizer o que é, ao menos meus sentimentos são verdadeiros, posso estar sendo infantil, mas jamais poderá dizer que não é de verdade, todas essas mazelas me fazem pensar, mas isso não poderia ser algo bom.
Mas tudo que é bom tem seu fim, e aquela tarde não foi exceção, logo mais vinha o por do sol me agraciar com sua presença, então voltava ele e seu amigo me chamar pra comer alguma coisa, então, de modo reverenciando o lugar que estive, me despedi dele e fui atender ao chamado. Ao menos, o dia tinha valido a pena.
Qualidade boas ele também havia, não era de total ruim, definitivamente não é um inimigo meu. Uma coisa que era, é ser responsável, jamais passei fome, mesmo nos momentos de vacas magras, também jamais me bateu ou me ameaçou com alguma coisa, sei que no fundo há bondade em seu coração. Ás vezes foco muito na parte ruim, esquecendo das boas ações.
Naquela hora não tinha me dado conta, mas fazer o que, “pai não se tem outro”, não tinha como mudá-lo, tinha que dar um jeito a me acostumar com aquilo. Mesmo que use palavreado baixo e seja um baita de um panturrão, ainda assim, era uma pessoa importante em minha vida. Não podia mais fugir.
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3 avaliações encontradas.
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Achei quase tudo mediano, exceto a escrita, que está melhor do que o resto.
Cumpre o desafio, porém fica-se com a impressão que foi escrito apenas para isso, não é um conto, é um encaixe de uma frase específica no meio de outras tantas frases.
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Plot: É um pouco fraco.
Execução: Dois personagens bons; boa ambientação; tem uma subtrama da narradora.
Escrita: Frases ambíguas, períodos muito longos, pontuação ruim.
Estilo: Bom narrador, boas referências.
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Gostei da narrativa, mas a construção do texto foi, ao meu ver, um pouco cadenciada demais. O que mais chama a atenção, num primeiro momento, é o humor da história; gosto do fato da narradora ser engraçada, mas empática e flexível. Gostei também do conflito na relação entre os dois personagens em evidência, mas as metáforas e linguagem poderia mais objetiva. Também não gostei tanto da resolução, mas achei criativa a maneira como o desafio foi cumprido.