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O sangue na cadeira

O pastor atravessou a soleira do casarão colonial mineiro. Lá dentro, alguém esperava que ele enxergasse um morto.

— Boa noite, senhor visconde. Vim a pedido do senhor.

— Ô, graças a Deus que o senhor veio, moço. A minha prima disse que o senhor entende dessas coisa… — exclamou o visconde de Aragão.

O pastor quase sorriu.

— O bom Deus me ungiu pastor para tratar desses assuntos.

— Espera. Ocê é pastor, né?

— Sou, graças a Deus.

— Eu tava era precisando dum médium, moço. Mas minha prima me disse para não mexer com essas coisa.

O pastor encheu o peito e sentiu as pernas tremerem.

— Mas, senhor visconde, que coisa é essa?

— Quer ver o que é moço? Será que ocê consegue me ajudar?

— E quem poderia ajudar mais que o servo do bom Deus?

Silêncio.

O visconde não queria desagradar ao homem. Coçou a nuca e roeu as unhas. Pela janela, viam-se árvores secas, com os galhos retorcidos.

— Já que o senhor veio… queria só que o senhor visse um negócio. Eu preciso que alguém veja o que eu vejo.

— Mostre-me o que o senhor quer que eu resolva.

— Venha… Ali… ali mesmo!

O visconde sorriu e apontou com a mão trêmula. Depois voltou os olhos para o pastor e torceu os lábios.

 

No salão em que estavam, duas pinturas de olhos avermelhados adornavam as paredes. Ambos estavam voltados para a cadeira. Uma mesa ocupava o centro, cercada por cadeiras de madeira entalhadas em estilo barroco. Uma delas estava quebrada, inclinada como um penitente. A sombra da cadeira alcançava a parede.

— Só estou vendo uma cadeira. — O pastor tentou manter a voz firme.

Enquanto o pastor se movia em direção à cadeira, o visconde de Aragão recuou, tirou do bolso um lenço vermelho que pertencera à sua falecida filha e o olhou com tristeza.

— Mas tá aí, uai… Eu num tô ficando doido, tô?

Ninguém respondeu.

 

— Desculpe, visconde. Não vejo nada de estranho.

O visconde voltou a olhar para a cadeira. Ele torceu os lábios e seus ombros caíram.

— Ora, está bem na sua frente! Vou pegar para o senhor um pouco de cachaça… ou melhor, café e um queijinho para o pastor! Enquanto isso, o senhor, venha comigo para a sala. Não consigo ficar aqui perto por muito tempo.

O anfitrião apertou o lenço.

— Tudo bem. Se quiser posso fazer uma oração.

— Não, moço. Eu não preciso de oração, o problema é a cadeira. Está vendo a madeira?

O visconde olhou para a cadeira durante alguns segundos.

— Sim.

— Tem hora que eu acho que ela quer me dizê alguma coisa.

O pastor apertou os olhos na direção indicada. Depois se voltou para o anfitrião, juntando as mãos atrás das costas. O calor úmido fazia as mãos suarem.

— Onde conseguiu essa cadeira? O senhor acredita que haja alguma coisa aí?

— Não lembro bem. É coisa de família — o visconde meneava a cabeça, vasculhando as memórias. — Minha mãe dizia que a madeira veio da Somália. Meu avô jurava que era de uma velha cabana perto da Ponte Torta. Mas não sei ao certo.

— E o senhor acredita em qual?

— Em nenhuma, moço. Mas a cadeira é especial. Meu avô, meu pai, minha mãe, eu e minha finada filha, sentamos aí.

 

A cadeira estava virada para o pastor. A perna traseira esquerda estava quebrada, deixando uma ponta irregular, manchada de sangue seco. Uma luz amarelada iluminava o estofado vermelho.

— Visconde. Eu gostaria de fazer uma oração pelo senhor.

— Moço, eu não sou cadeira, mas quero entender ela. Ocê não é pastor? Veja isso pra mim. Depois vemos as suas orações.

— O que o visconde quer dizer com entender? Isso não seria trabalho para um marceneiro?

— Isso aí num tem marceneiro que dê jeito, moço. Por isso eu queria um médium. Meu avô dizia que essa madeira nunca deveria ter sido usada. Mas ela não tem culpa… no final, ela ajudou.

O visconde de Aragão baixou os olhos e olhou com carinho para a cadeira.

— Me fala o que aconteceu, visconde.

— Minha menina morreu sentada aí, uai. Foi essa maldita perna quebrada, sô. No dia, ela estava linda, lembro bem. Vestia vermelho.

O pastor lembrou-se de sua mãe e também abaixou a cabeça.

— Sinto muito. Farei uma oração pelo senhor mais tarde. Quanto à alma, nada mais podemos fazer. Esperemos que Deus tenha tido misericórdia dela. Mas, agora, não se preocupe com os mortos. Pense na sua alma.

O pastor encheu os pulmões.

— E aquela moça?

— A minha prima está lá dentro. Desde o trágico dia, ela me fez companhia. Sabe fazer um ótimo café e eu… bom, gosto de molhar o queijo no cafezinho, né?! Se é que o moço me entende.

— Não entendi.

O risinho fino se desfez nos lábios do visconde.

— É bobagem. Ignore isso que eu disse.

 

O pastor permaneceu sem expressão. Em seguida, a prima surgiu da cozinha com uma bandeja e serviu três xícaras.

— Café?

O pastor olhou para a moça. O calor havia colado a roupa da moça ao corpo. Ela cheirava a café. Ao vê-la, o pastor abaixou a cabeça e sussurrou para si: “Afasta de mim toda tentação, bom Deus”. E voltou seus olhos para a cadeira.

A moça olhou para o visconde e para o pastor.

— Se o senhô precisa de mim, estarei na cozinha, seu visconde.

— Por agora não. Pode ir moça.

O visconde colocou a xícara sobre a mesa e voltou o olhar para a madeira. Nesse instante, o pastor tocou a madeira com a ponta dos dedos e retirou a mão rapidamente.

— Estranho…

Estava quente.

 

O cheiro do café invadia a sala. O visconde continuava a roer as unhas. Inclinou-se em súplica:

— Pastor, eu sei que parece absurdo, mas, moço, ocê poderia compreender o que essa cadeira quer nos dizer?

O pastor fitou a ponta irregular da cadeira, manchada de sangue seco.

— Tudo bem. Vou orar por todo esse lugar, mas apenas isso.

— Bom demais, sô! Quero ver se é pastor bom mesmo. Enquanto isso, esperaremos lá fora. Assim o senhor terá mais espaço.

O pastor os ignorou e puxou o estofado da cadeira. Sob o tecido rasgado, havia sangue. Da porta, o visconde sorriu e pareceu murmurar:

— Continue, moço. Vamos ver se ocê é sabido nessas coisa mesmo.

O pastor foi deixado sozinho com a cadeira. Quando se virou para o móvel, notou um fio de fumaça saindo da madeira. Aproximou-se mais. O sangue parecia secar, mas, diante dos seus olhos, a madeira tornava a umedecer-se. Ele franziu a testa.

Sorriu para si e tirou do bolso um pequeno frasco de óleo trazido de Jerusalém, molhou o polegar e fez um traço na madeira. Fechou os olhos, mas antes de começar a orar, lembrou-se de sua mãe. Havia usado o mesmo óleo para orar por ela, pedindo a Deus que a curasse. A oração durara semanas, meses, mas, mesmo assim, ela morrera.

Observando o frasco, o homem murmurou:

— Será que eu tenho mesmo a fé necessária?

Assentiu com a cabeça e começou a orar baixo. Colocou a mão sobre um entalhe de flor na madeira. O volume da voz foi aumentando de modo a chamar a atenção do visconde e da prima.

— …Em nome de Jesus, tudo aquilo que não pertence a Deus deve sair deste lugar. Eu expulso todo espírito maligno e… e…

Quando percebeu que o sangue secava, lembrou-se da mãe. Com a memória, interrompeu a oração. Ela também acreditara que Deus a curaria. A voz lhe falhou. A madeira tornou a sangrar.

Fez uma breve pausa. Depois, elevou a voz e ouviu o visconde dizer, quase num sussurro:

— Não.

O pastor não parou até todo o sangue secar. Então agradeceu a Deus e disse:

— Amém.

Nesse momento, a madeira, que antes expelia sangue, já estava acastanhada e fria. Percebeu que não havia mais umidade na madeira e que uma pequena flor vermelha havia brotado na ponta quebrada da madeira.

— Graças a Deus.

Completou baixinho:

— Eu ainda tenho alguma fé.

 

O visconde aproximou-se ao ouvir a cadeira estalar. Então parou diante da cadeira e tocou o estofado. Sua mão recuou, pois, a madeira estava fria. Apenas fria. Olhou para o lenço vermelho nas mãos e começou a chorar.

— O que ocê fez, moço? Agora ela não volta mais.

— Quem? — perguntou o pastor.

Silêncio.

 

— Minha filha, uai.

O pastor baixou os olhos e se afastou. O visconde se sentou em uma cadeira próxima e a prima entrou para consolá-lo.

— Visconde… Visconde, seja o que for… não era sua filha.

O homem colocou as mãos no rosto.

— Deixe-me orar pelo senhor.

Ninguém disse nada. A prima hesitou e abriu a porta para o pastor, que apertou a Bíblia, abaixou o olhar e saiu. Até chegar à porta, tentou rezar mentalmente o Pai-Nosso, mas só conseguia pensar na morte da mãe. Olhou duas vezes para trás. A cadeira continuava lá, fria, enquanto o visconde chorava.

Ainda fazia calor no caminho de volta. O pastor pensava na moça quando sentiu uma ardência na mão.

Olhou.

A queimadura tinha o formato daquela flor.

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2 avaliações encontradas.

Enredo Execução Escrita Estilo Desafio

Avaliação enviada em 15/08/2026

Gostei da maneira como o conto trabalha o elemento sobrenatural aliado ao humor. Aos poucos, o gancho que gira em torno do desafio surge como um “sustento dramático” que vai ganhando forma através de estranhos eventos, quase que num realismo mágico.

O terceiro ato aborda uma breve reflexão sobre fé, perda e como devemos deixar aqueles que amamos ir. A escrita é simples, e acredito que poderia melhorar. De resto, o conto foi agradável!

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Enredo Execução Escrita Estilo Desafio

Avaliação enviada em 01/08/2026 · enviada antes de uma revisão

Avaliado em 01/08/2026

Plot: Uma história razoável, com potencial para intrigar, ainda mais com a reação final do próprio Visconde. É difícil fazer a história se focar na perna esquerda traseira da cadeira. O recurso da maldição/possessão demoníaca é uma boa saída.

Execução: O conto apresenta furos de roteiro. Teoricamente, trata-se de convencer o pastor a expulsar o demônio da cadeira. Nas palavras do próprio visconde, era um demônio mesmo. Mas, no final, ele queria que o pastor confirmasse se era sua filha? Ele ainda afirma que sabia (“sabia que ela estava comigo.”). Se sabia, não precisa de confirmação. Ficou muito confuso. O autor precisa escolher conforme o objetivo final. Depois, precisa voltar consertando o texto de acordo com o rumo que planejou. Dê pistas da desconfiança do visconde sobre a natureza do ser que se apoderou da cadeira. Alguma relação entre medo e apego da parte do visconde. Isso vai enriquecer o texto, deixar o leitor confuso (mas de uma forma boa, intrigante) e dar peso à revelação. A insistência no cafézinho é bem coisa de mineiro. Ganhou ponto pelo detalhe.

Escrita:
confusões quanto a tempo verbal. Como o texto é predominantemente no passado, os verbos no presente soam inconsistentes: entreolham, estranha, cai de joelhos, começa a chorar;
Crase em “àquela” famosa Ponte Torta;
“Ele utilizara o mesmo óleo para orar para a mãe, pedido para que Deus a curasse.” -> pedindo (gerúndio);
“duas pinturas com olhos avermelhados adornavam as paredes; cujos olhares pareciam persegui-los.” : substitua o ponto e vírgula aqui por vírgula;
“Riu desconcertado de si mesmo então voltou a tocar a madeira com cautela.”: vírgula antes de “então”.

Estilo: há frases mal construídas que desestimulam a progressão. Por outro lado, o ritmo é bem cadenciado no texto todo. O excesso de metáforas no início pode e deve ser corrigido para se adequar à boa fluidez do resto do texto. E, não há nada no sotaque do visconde que denote que ele é mineiro. Particularmente, eu gosto da demonstração evidente do sotaque.

Desafio: Faço uma sugestão, conforme apontamentos abaixo, apenas para evidenciar a perna da cadeira e não a cadeira. Se isso for corrigido, o desafio ficará perfeitamente cumprido. Quase gabaritou aqui.

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*“O céu pendia sobre a cidade como um presságio ainda sem nome. A lua, cercada por nuvens espessas, fitava a terra com a indiferença de um olho antigo. Nem uma estrela rompia a escuridão. O calor úmido colava-se à pele, tornando o ar quase sólido. As árvores permaneciam imóveis, como se até o vento evitasse tocar aquele lugar.”

Um acúmulo de metáforas nunca é bom. Ainda mais em um primeiro parágrafo. Ainda mais, se a imagem que tenta ilustrar não é tão evidente. Afinal, presságios costumam ter nome? O que é um olho antigo? Um olho de uma pessoa velha, suponho. Mas olhos de pessoas velhas costumam ser indiferentes?

Veja uma sugestão de reescrita mais direta, aproveitando uma boa frase:

Numa noite de céu limpo, a lua cheia era astro solitário. O calor úmido colava-se à pele, tornando o ar quase sólido. As árvores permaneciam imóveis, intocadas pelo vento.
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*“mas as canelas tremeram.”

Por qual motivo as canelas tremeram? Ele não viu nada.
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*“O silêncio que se seguiu era quase palpável.”

Isso já tá clichê demais. Que tal trocar por algo mais criativo? É aqui que pode gastar uma metáfora (nada exagerado) ou alguma outra figura de linguagem. Uma prosopopeia, talvez? “O silêncio assumiu o discurso.”
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*“O anfitrião cobriu o rosto com as mãos e apertou o lenço vermelho.”

Ele tem três mãos?
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*“O pastor hesitou um pouco. A estranheza causava-lhe um pequeno medo.”

Tente descrever a hesitação em vez de contar que ele hesitou. O que aconteceu? A voz tremeu? E durante todas essas frases? Se sim, que tal colocar logo depois da primeira frase, para que a hesitação se estenda para as outras na mente do leitor?
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*“Uma vez me disseram que essa madeira veio de um cemitério. Meu avô falou que foi tirada de uma cabana velha próxima aquela famosa Ponte Torta. Mas eu acho que ela pertenceu a algum bruxo.”

Apesar de estar no discurso, parece um infodump não demandado. Como o conto é pequeno, isso pode ser ampliado para que exista a demanda. Vou tentar exemplificar:

— Não, por favor! Escute-me! O demônio… Ele está ali, naquela cadeira.
O pastor apertou os olhos na direção indicada. Depois se voltou para o anfitrião, cruzando os braços:
— Onde conseguiu essas cadeiras?
— Não lembro bem. É coisa de família — o visconde maneava a cabeça, vasculhando memórias. — Ah, espere. Lembrei de algo que minha mãe me disse. Certa vez, ela contou que meu pai buscou a madeira em um cemitério abandonado. Mas meu avô falou que foi tirada de uma cabana velha, próxima àquela famosa Ponte Torta. Pensando bem, eu acho que ela pertenceu a algum bruxo.
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*“Ele apontou para a cadeira com a perna traseira esquerda quebrada. Jogada no chão, ela tinha um estofado vermelho. A madeira escura parecia brilhar sob a luz opaca da sala, como se tivesse vida própria.”

Temos alguns problemas fáceis de resolver.
A primeira frase está ambígua. Numa primeira leitura, eu achei que a perna da cadeira estava na posse do anfitrião e ele apontava para a cadeira com o pedaço de madeira na mão.
Outra coisa que precisa ser modificada é que a cadeira não estava jogada. Do contrário, perde aquela descrição dela inclinada como um penitente.
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*“Pensou enquanto observava a perna traseira quebrada da cadeira.”

Não precisa mencionar que é a perna traseira quebrada para cumprir o desafio. Sugestão exemplificativa: “enquanto observava o pedaço de madeira nas mãos.”
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*“O demônio… Ele está ali, naquela cadeira.”
e
“Acredite, a perna daquela cadeira está amaldiçoada.”

É a perna ou a cadeira. Contradição.
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*“morreu em uma noite de sábado”

Qual a relevância de ser sábado? Se não precisa, corta.
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*“— Sinto muito. Farei uma oração por você mais tarde. Quanto à alma, não há nada mais a fazer. Esperamos que Deus tenha tido misericórdia dela.”
“— Por ora, não se preocupe com os mortos! Concentre-se nos vivos. Por favor.”

Aqui é a mesma pessoa falando? Se sim, não tem necessidade de abrir outro travessão. Se quiser insistir nisso, coloque uma ação no meio: “O pastor caminhou em direção à porta. Virou-se e acrescentou:”
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*“O primo preparava um café forte, QUASE negro, cujo cheiro invadia a sala.
O visconde agora roía as unhas. Ele se inclinou, QUASE implorando:”

O “quase” prejudica a estrutura. No primeiro período, “café FORTE” e “quase negro” reforçam a mesma ideia. Que tal deixar só um? E que tal alterar a estrutura do período todo para não repetir na segunda frase:

O primo…
O visconde…

Sugestão: “O cheiro de café forte preparado pelo primo invadia a sala. Nela, o visconde roía as unhas. Subitamente, ele se inclinou em um gesto desesperado de súplica:”
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*“junto com essa perna quebrada e pontiaguda.”

Não parece algo que alguém diria. Você não descreve a coisa que está entregando, e que o interlocutor pode ver. Como, na segunda leitura, notei que o pé da cadeira não está com o visconde, então o correto seria usar “aquela” e não “essa”. Porém, como se trata de uma fala, é comum a confusão. Não precisa tirar.
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*“Os quatro homens se entreolham.”
A que horas os outros dois homens entraram na sala? O primo estava preparando o café quando essa conversa aconteceu. O agente funerário nem é mencionado além da conversa.
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*“Os outros saíram, deixando o pastor sozinho com a cadeira. Só então ele notou uma pequena fumaça saindo da madeira. E não se lembrava de a cadeira estar tão próxima.”

Sugestão: “O pastor foi deixado sozinho com a cadeira. Quando se virou para o objeto, notou que uma pequena fumaça saia da madeira. E não se lembrava dela estar tão próxima.”
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*“E não se lembrava de a cadeira estar tão próxima.
Aproximou-se, intrigado”

Há uma distância pequena entre “próxima” e “aproximou-se”. Que tal mudar?
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*“Sorriu para si, pegou no bolso um pequeno frasco de óleo trazido de Jerusalém, molhou o polegar e fez um traço na madeira, mas hesitou.”

Não tem como “fazer” e “hesitar”. Depois de feito, não se hesita quanto ao ato concluído. Entendo que o autor quis dizer que o pastor fez de forma hesitante. E, nesse caso, pode acrescentar detalhes na ação que demonstrem a hesitação.
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*“— Pastor, eu sei que parece absurdo, mas você poderia orar para essa cadeira? Expulsar dela o demônio.”
E
“— Não… não… Não assim. Era para você apenas confirmar a presença dela.”

Contradição? Ou confusão do personagem?
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*“Lá estava a cadeira quase de pé, sem as pernas.”

Como ela ficou de pé sem as pernas?

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