Enredo Execução Escrita Estilo Desafio
PLOT
Nestas primeiras avaliações antes da revisão, a nota vai sofrer bastante por causa do plot, pois, no fim das contas, acontece pouca coisa e, do que NÃO acontece, é difícil deduzir as coisas pra interpretar direito. A maior parte do texto é preparação: conhecemos os personagens, vemos Lugan se aproximar da cantora e chegamos até a cena que muda tudo. O problema é que essa mudança, por necessidade do desafio, fica escondida demais, fica: ausente (não em subtexto). Aliás, é impossível deduzir as coisas que descobrimos depois com o autor revelando. Como consequência, sobra uma sensação de que o conto termina antes de realmente entregar seu conflito principal (que é o que define um conto: a história de um conflito). A ideia é interessante, mas, como leitor, senti falta de um acontecimento mais forte dentro do próprio conto.
EXECUÇÃO
Apesar do plot simples, acho que a execução do que ele se propõe a fazer é boa. A ambientação funciona, a estrutura narrativa é organizada e praticamente todas as cenas fazem a trama avançar. Não senti barriga nem desvios desnecessários.
Por outro lado, o conto deixa pontas soltas demais para funcionar sozinho. Algumas delas parecem mais gancho para uma obra maior do que perguntas que enriquecem um conto. Além disso, a construção de Lugan acaba sendo justamente o ponto mais fraco, o que pesa bastante em um desafio cujo foco está na transformação do protagonista. Mesmo sabendo, agora, o que aconteceu no quarto, sinto que essa mudança não fica suficientemente refletida no personagem dentro do texto.
ESCRITA
Não encontrei problemas relevantes de ortografia, gramática ou pontuação. A leitura flui naturalmente e, sinceramente, quase não prestei atenção nesses aspectos, o que costuma ser um bom sinal. Nada me chamou a atenção negativamente na escrita. Está bem fluida.
ESTILO
Para o meu gosto, o texto é pouco literário. E o narrador, em alguns momentos, parece se aproximar demais do protagonista, mas sem assumir de fato um discurso indireto livre, o que gera uma pequena sensação de inconsistência (ainda que o discurso indireto livre não fosse combinar com esse conto).
A linguagem é só funcional. Isso tem um lado positivo, porque torna a leitura fluida e acessível, mas também faz faltar um pouco de personalidade na voz narrativa. Não há muitas construções sintáticas mais elaboradas, nem figuras de linguagem marcantes que tragam maior identidade ao texto (com os traumas recentes, tendo a achar que é melhor assim, mas é que a nossa régua está baixa).
DESAFIO
Enquanto não sabemos o que aconteceu no quarto, o conto parece cumprir bem a proposta, porque fica claro que houve uma experiência importante que nunca é mostrada diretamente. O problema aparece quando conhecemos a intenção do autor. A mudança de cosmovisão do protagonista não fica tão evidente dentro do próprio texto; ela depende muito da interpretação do leitor. Dá para defender que o desafio foi cumprido, mas também dá para argumentar que o que mudou foi apenas o comportamento de Lugan, e não necessariamente sua visão de mundo. Por isso, achei um cumprimento um pouco abaixo da expectativa.