Enredo Execução Escrita Estilo Desafio
É difícil analisar um conto sem enredo. No caso, trata-se de uma releitura e após especularmos sobre a narrativa e nos ser revelado o simples fato de que não há uma história concreta pelo próprio autor, ainda assim acredito que o estilo e as lacunas temporais da narrativa contribuam para um efeito de divertimento.
Desde que eu li este conto, interessei-me pela psicologia e seus muitos estudos, de modo que me impressionou o quão leal o autor conseguiu ser a um provável episódio de crise de esquizofrenia psicótica paranoide persecutória; eu tive a chance de ver duas pessoas na rua EXATAMENTE com este tipo de discurso, uma das quais veio interagir comigo e me disse: “Você gosta dos Rolling Stones?”, no que eu respondi: “Sim, conheço pouco” e o “lunático” respondeu: “É porque quando eles tocam a bateria é que a chuva vem forte, tchau.” E saiu andando.
Eu fiquei confuso mas eu veria esse sujeito novamente falando sobre como os motoristas de ônibus municipais gostavam de ver ele ser atropelado pelas moças da faxina do colégio. Se eu não tivesse estudado no mesmo colégio que ele fez referência, o diálogo, ou melhor, monólogo (pois ele falava sozinho e em voz alta), ser-me-ia completamente aleatório.
Além disso, há uma figura conhecida na internet brasileira, cujo apelido ficou como “Menina do Ministério Etrom” que, ao apresentar crises esquizofásicas, grava vídeos de pessoas aleatórias apresentando os mesmos sintomas que esta ficção proporcionou. Não é uma história interessante, porque não há história, mas o estilo e a competência do autor em retratar um quadro clínico na ficção foi muito interessante!