Enredo Execução Escrita Estilo Desafio
É um texto muito técnico, muito poético. A história é fácil de se perceber quando se sabe qual é o desafio. Apenas quando menciona que um de seus companheiros é seu “braço” direito, e que fora colocado atrás dos demais (além de ser usado como descanso) é que temos a consumação da proposta do desafio. Ainda assim, é feito de forma sutil. O que não é demérito. A história continua voltada para a perna esquerda da cadeira.
Porém, não é um plot que conta muita coisa, embora a maneira que é contada seja envolvente. Mas é um plot comum, até mesmo a outros desafiados.
Em termos de furos, não há, porém, não há também inovação ou elemento distintivo que mereça destaque no próprio plot. Não faz querer saber mais sobre o assunto. Mas, quando o assunto é encerrado, ele passa uma experiência. E aqui mora o mérito: ser levado, usado, acostumado, mudado, subjulgado. Tudo que o ébado passa de sua perspectiva consciente.
Particularmente, o texto apresenta duas coisas que eu não gosto: poesia e experimentação.
A poesia, contudo, não prejudica o texto, embora force, como acho de toda a poesia, à inclusão de elementos descartáveis, ou para rimar, ou para levar à rima.
Exemplifico (aleatoriamente, acredite):
*Houve primeiro um silêncio, os pássaros também calaram. O céu não sussurrou, o sopro se segredou. Mas aí ouvi seus passos. E eis o vento vindo dos verdes vales varrendo a relva, seu assovio soprou anúncios sombrios sem rodeios e o rude rosno rompeu o reino.*
A essência aqui é a chegada dos lenhadores, a antecipação. Talvez, o silêncio é o esvaimento dos animais. É possível. A percepção do próprio Ébano? Não sei ao certo. A prosa poderia aproveitar a poesia e informar apenas o que é necessário. Minha tentativa de caráter meramente ilustrativo: “A chegada dos invasores fez a floresta emudecer. Os animais fugiram ou esconderam ao som dos facões cortando galhos e mato, abrindo caminho. Parecia que até os ventos cessaram seu sopro.”. Se levo em consideração que eu percebi a essência desse parágrafo, a prosa explica bem mais.
Quanto à poesia, não quero dizer que com isso não vejo valor algum. Pelo contrário. Há beleza poética nas construções que cativam o leitor. Como o texto é abarrotado delas, pode ter o efeito contrário para leitores como eu.
A outra questão é a experimentação. Escrever da parspectiva de um cachorro, uma parede, uma planta, nada disso me atrai. Não vejo sentido ou proveito (e olha que eu crio diálogos imaginários com meu cachorro todo santo dia). Então, já sabendo do que se tratava desde o início, eu li com preguiça. Porém, é outro mérito do autor, pois a musicalidade é legal, e um pouco de esforço fez vencer essa barreira.