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Enredo Execução Escrita Estilo Desafio

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Avaliação enviada em 08/02/2025 · enviada antes de uma revisão

O conto tem um roteiro que nos conta pouca coisa. Um homem que perdeu a amada e, no dia dos finados, quando a visitou, morreu também.
Há elementos interessantes que poderia ser explorados, como a razão de esculpir anjo na lápide. Qual a razão? Tudo acontece PORQUE SIM. E, portanto, é desinteressante. Outras coisas são levantadas sem que sejam exploradas. Não precisam estar ali. A questão do casaco, por exemplo. Ganha espaço tirá-lo do conto. Em um capítulo de livro, alguns detalhes podem ser melhor explorados, mas para um conto, se não tem relevância para o roteiro, é bom que não seja mencionado, principalmente se estamos falando de um limite de 2000 palavras.
Mas, o maior pecado do autor está no uso de referências (metáforas, comparações ou apontamentos) que não fazem sentido para o leitor comum. É uma crítica difícil de se fazer, pois é um erro que os melhores escritores cometem, mas a revisão existe para isso. Vou exemplificar, tentando não ser exaustivo:
*O compasso dos pés sincronizava os pombinhos numa noite fresca, que postumamente, mesmo em tristeza, seus pés ao vento ainda conseguiam acompanhá-la.*
O que isso significa? Ele estava se lembrando dela no casamento, mas como é que, postumamente, os pés acompanhavam? Em memória? Em memória é difícil não acompanhar. Confuso.
Quanto a linguagem poética, e a suposta predileção do autor pela poesia, explicam muita subjetividade na construção frasal. Há quem aprecie uma abertura tão subjetiva, pois deixa à cargo do autor imprimir suas noções no texto, e, com isso, identificando-se mais.
Porém, não acho que funcione para um conto que pouca coisa… conta.
Cria um clima que não deixa a história seguir, e, quando segue, apresenta um desfecho apenas sinistro.
Há uma confusão no roteiro, quanto à felicidade do casal. Vejamos:
* É raro os casais burocraticamente justapostos serem felizes. Era o destino de William e Emelyn.*
O destino deles era o casamento arranjado ou a infelicidade? Percebe?

*Restava apenas o peito calado que já não conseguia fingir um grito.*
Um peito que não conseguia fingir um grito? Não sei o que isso significa.

E, ainda quanto à escrita, há um uso excecivo do pretérico mais-que-perfeito. Ocasiões em que o pretético simples seria adequado.
Vamos a um exemplo:
*No dia mais funesto do ano, portanto, o dia dos finados, William planejara ir ao túmulo de sua amada. *
Planejou.

*Emelyn viera de uma família de classe média.*
Veio.

E, finalmente, há um furo de roteiro quanto ao uso da autora e a data em que William Story faleceu.
Em 1895, Florbela Espanca tinha apenas um ano de idade. Ela nasceu em 1894.

Finalizo dizendo que até plots previsíveis e clichês podem dar uma boa história. O estilo do autor, todo poético, pode funcionar quando a linguagem poética vem em boa hora. Quero dar um exemplo:
*Até que algumas memórias o puxaram à dor. *
Soa muito melhor do que dizer que “algumas memórias doloridas surgiram”, por exemplo. É um bom uso, a meu ver. E há outros pelo conto.

Ainda em tempo, não consegui entender a razão da poesia presente no conto. Mas, confesso que pode ser só um problema pessoa de extrair qualquer coisa de uma poesia.

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