Enredo Execução Escrita Estilo Desafio
O autor parece ter um vício de escrita que deve ser notado e corrigido. E o aponto primeiro, pois salta os olhos em uma primeira leitura.
Trata-se de concluir uma ideia em uma sentença, mas não finalizá-la com a pontuação adequada, preferindo a vírgula, gerando uma oração extensa e confusa.
Seguem alguns exemplos que se repetem por todo o texto.
“Nada de celulares, computadores, televisão ou coisa do tipo,…”
Mude para:
Nada de celulares, computadores, televisão ou coisa do tipo.
“procurar pedras preciosas, o limite era a imaginação.”
Mude para:
procurar pedras preciosas; o limite era a imaginação.
“madeira com uma rabeta, embarcávamos com as tralhas…”
Mude para:
madeira com uma rabeta. Embarcávamos com as tralhas…
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“Nesta noite fria chovia forte”
Não seria “Naquela”? O “nesta” dá a entender que o Narrador faz parte da história de alguma maneira.
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Fora o vício, é uma leitura bem tranquila, com um uso de um vocábulário próprio de quem conhece a arte de acampar, o que foge do conhecimento desse avaliador urbano. Mas não há prejuízo ou desgaste. Não é um especialista em uma área querendo expor um conhecimento nichado. Atribuo mais à minha ignorância do que um problema sério a ser apontado.
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O plot tem tudo para ser interessante, mas é simples, bobo e não passa de um sustinho no final. Nada acontece, nenhum evento que seja realmente marcante. Não que a aparição do mulato não tenha sido bem escrita, como falarei na avaliação da execução, mas é que isso não teve implicações. Decepcionei.
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Ainda que seja um plot ruim, ele é muito bem construído. A tensão, a ocasião em que a história foi contada, o ambiente sendo preparado a ponto de fazer esquecer que é uma história de com conto fantasmagórico na narrativa do avô, a desculpa que o autor usou para continuar contando sua história em uma narrativa fluida, sem ser interrompido por uma renca de moleques, tudo isso colabora para uma leitura muito prazeirosa. Os vícios da escrita apontados são uma trava na fluidez, mas, uma vez notados e corrigidos mentalmente, apresentam uma experiência divertida e intrigante, até o final decepcionante.
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Não há tantos requintes que possibilitem compreender o estilo do autor. Há uma perícia habilidosa em mudar o estilo da narrativa de forma justificada, no próprio texto. A narrativa em terceira pessoa dá lugar a um texto em primeira pessoa, contada pelo avô. E, há expressões próprias da fala que são postas, acredito eu, propositadamente pelo autor, como o início com o pronome oblíquo em: “Me aproximei, levantei uma ponta e entrei, um pouco molhado.”.
Porém, há expressões próprias da fala ou da personalidade que são colocadas de forma injustificada e não repetida pelo narrador. Como em “trepar em árvores para catar frutinhas”. Esse diminutivo é marca de estilo? Está desconexo com o resto do estilo da narrativa, e volta a aparecer na fala-narração do avô (pedacinho, banquinho, peixinho).
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Quanto ao desafio, sou do time de que é muito fácil cumprí-lo. As crianças falavam de histórias de terror, e por mais que a história do avô seja ruim (pelo final, não pela narrativa), trata-se de uma história de fantasma, expressamente mencionada.
SUGESTÃO
Minha sugestão é quanto a melhorar o pior elemento que avaliei. O plot. Que tal se o avô contasse que tinha dois irmãos e as crianças estranharem? “Dois, não era só o tio Ademar? E essa história ser sobre o como o tio Álvaro desapareceu com o mulato. Seria tenso. E o avô tivesse ficado cego na mesma ocasião (talvez de um só olho). Ou, quem sabe, fosse revelado que o mulato continua a aparecer para o avô, e que eles estão, agora, no lugar onde ele viu o mulato a primeira vez, com um encerramento aberto, sugerindo ao leitor que há algo estranho acontecendo enquanto a narrativa acontece. Enfim, há diversas maneiras de tornar o plot mais interessante. Aliados à sua narrativa cativante, há um excelente potencial.
SUGESTÃO EXTRA
Porquê MULATO? É um nome genério demais. Ele o viu no escuro, podia ser branco, negro, não se via muita coisa. Que tal uma simples APARIÇÃO. Corredeira da Aparição. Se quiser ser menos óbvio: O HOMEM NA CORREDEIRA.