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Enredo Execução Escrita Estilo Desafio

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Avaliação enviada em 14/04/2025

PLOT: A premissa é boa, mas o enredo é ultra forçado: não fica evidente (a gente tem que inventar isso, interpretar) que há uma espécie de gatilho quando o soldado ouve “lembre-se do seu dever”; especiamente pq essa frase é fraca, não tem nada de marcante, nada que remeta a um código ou algo assim; é sutil demais pra ser minimamente verossímil como comando psicológico, ao estilo Soldado Invernal.

EXECUÇÃO: Me desculpe, mas o protagonista é muito raso na construção. Tá mais pra um recorte, não é? E como eu disse acima, quase tudo (sobre a trama e o personagem) a gente tem que interpretar, porque nem subtexto tem; o que tem são elementos obscuros que forçam a nossa interpretação. Não dá nem pra saber o contexto amplo dessa guerra, nem a motivação do protagonista (muito menos dos seus superiores).

E, poxa, não dá pra engolir violência que não constrói nem personagem, nem avança a trama; e tem muito disso aqui. Muitas decisões não fazem sentido e soam como algo só pra chocar mesmo (o que nem consegue, vamos ser sinceros?). Eu me sentir incomodado não é me sentir chocado. E aliás, me senti chocado com muitas cenas violentas em outros contos e romances, mas aqui, o tratamento emocional não é construído e a violência não tem força narrativa, servindo só como excesso estilístico.

Algumas coisas me incomodaram no cenário, como em “Algumas se sentaram e outras choraram, chamando pelos pais sem saberem que eles já fediam em algum beco da cidade”. Faz sentido mesmo que as crianças estivessem todas tranquilas e desavisadas (incluindo a professora e a direção da escola), eqto toda a cidade estava já despedaçada? Não me soou verossímil.

ESCRITA: A escrita está bem revisada. Não encontrei nada muito tenso em termos de pontuação. Mas algumas construções sintáticas parecem muito gpt e não fazem muito sentido, como logo no início: “Simples, audível; a marca da foice a rebrilhar as faces de desespero daqueles que a ouviam”. Apesar de algumas vezes não fazer sentido mesmo, e isso ser problema de escrita, vou deixar pra seção de estilo.

Em “O soldado estourou a cabeça dela”, soaria melhor “estourou sua cabeça” (e a frase já continua de novo com a fórmula sintática do gpt: “o som gelatinoso do crânio respingando nas outras crianças”).

Tiver que pôr algumas vírgulas também, como na fórmula “Um dia”, no início.

A frase “Um tremor atravessou sua espinha, a mente repentinamente coberta por uma nuvem que embalava tudo”, super cara de gpt, seria mais gostosa de ler com “cobriu-se”, que inclusive faria mais sentido.

Os gerúndios do estilo gpt muitas vezes de fato não fazem sentido, como em “O soldado puxou o cano da arma para si, o disparo acertando o teto”. Aqui, não é questão estilistica meramente. O verbo precisava estar no passado, ou ter suporte de um conectivo como “com”, antes de “o disparo”.

ESTILO: O texto começa com uma proposta literária, com algumas repetições (que não gostei muito) e fórmulas estilísticas que mostram uma preocupação importante. O problema é que isso logo desanda e muita coisa sem sentido começa a aparecer, até degringolar e o estilo mudar (ao meu ver, pra melhor, mas já explico).

No início, há uma frase posta isolada cujo isolamento não fez sentido: “Uma criança abraçou suas pernas”.

O maior problema estilístico está no uso excessivo da sintase estilo gpt. Fora os exemplos que já mostrei, tem pelo menos estes:

– O soldado deu uma joelhada nela, todos os dentes da boca tiritando sobre o chão
– Aquiesceram uns aos outros, os uniformes cobertos de fuligem, fumaça e sangue.
– Uma esquadra inteira guardava o pátio, tiros interrompendo seu ímpeto.
– O soldado atirou […] as entranhas entornando corpo afora.

Curiosamente, depois de “acertando o teto” (listado na seção ESCRITA), não há mais a ocorrência dessa estrutura, mesmo havendo muitos momentos idênticos, onde se esperaria que ela aparecesse. Eu preferiria tudo assim, mas, de qualquer forma, isso é uma inconstância estilística.

Pode ser que a galera em geral não perceba essas coisas e, por isso, não se preocupe. Mas eu percebo, me preocupo e preciso dizer, porque esse critério serve pra isso, certo? rs

DESAFIO: Me parece que, se cumpre o desafio, o faz na rapa msm: as mudanças não são NUNCA de visão de mundo, mas comportamentais meramente. Outro problema é qual situação exatamente aconteceu, e que não é explicitada, causa a mudança: não fica tão claro que é nesses momentos de “roger that” que a coisa acontece (digo, a mudança [e, se é, mais uma vez: não é mudança de cosmovisão]), nem que houve algum episódio em torno disso (que no caso teria sido uma lavagem cerebral ou algo semelhante [e que de fato não implica em mudança de cosmovisão]).

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